O emissário da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, disse nesta segunda-feira, em Damasco, que a próxima rodada de negociações em Genebra será crucial para encontrar uma solução política ao conflito sírio.

"A próxima rodada de negociações em Genebra será crucial, já que nos concentraremos na transição política, na governança e nos princípios constitucionais", disse De Mistura à imprensa, após um encontro com o chefe da diplomacia síria, Walid Muallem.

Os diálogos indiretos entre representantes do regime e da oposição serão retomados na quarta-feira em Genebra, onde foi realizada a rodada anterior, entre 14 e 24 de março.

"Esperamos e temos a intenção de que (os diálogos) sejam construtivos e concretos", acrescentou.

A oposição pede a formação de um corpo executivo, do qual seria excluído o presidente Bashar al-Assad, enquanto o regime quer um governo amplo, com a presença de membros da oposição, mas sob a presidência de Assad.

Segundo a agência oficial Sana, Muallem confirmou que a delegação governamental estava pronta para esta nova rodada.

O ministro "reafirmou durante seu encontro com De Mistura a posição síria sobre a solução política para a atual crise e o envolvimento (do regime) no diálogo sírio, dirigido pelos sírios, sem pré-condições", indicou a agência.

De Mistura também abordou com seu interlocutor o frágil cessar-fogo em vigor desde 27 de fevereiro.

"Falamos sobre a importância de proteger e manter o fim das hostilidades, que talvez seja frágil, mas existe. Devemos garantir que prossiga", disse o emissário.

Ambos responsáveis falaram também sobre o acesso às localidades sitiadas e a ajuda humanitária. Saudaram o trabalho do Programa Mundial de Alimentos (PAM), que forneceu no domingo por via aérea suprimentos a 200.000 pessoas cercadas pelo EI na cidade de Deir Ezzor.

Esta trégua, apoiada por Estados Unidos e Rússia, não inclui as duas organizações jihadistas, a Frente Al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda, e o grupo Estado Islâmico (EI).

- Ofensivas sincronizadas -

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) advertiu, nesta segunda-feira, que a ofensiva dos jihadistas no norte, no centro e na região costeira da Síria colocam a trégua em perigo.

"A Frente Al-Nosra, aliada a grupos rebeldes, está realizando três ofensivas sincronizadas" nas províncias de Aleppo (norte), Hama (centro) e Latakia (noroeste), informou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

O general Serguei Rudskoi, um alto oficial do Estado-Maior russo, disse que o objetivo da Frente Al-Nosra é cortar a rota entre Aleppo e Damasco.

"Se não impedirmos as ações dos terroristas, então o norte da Síria pode voltar a ficar sitiado. Todas as ações do exército sírio e da aviação russa estão dirigidas a frear os planos da Al-Nosra. Contudo, não está previsto ataque contra Aleppo", completou o militar.

Contudo, os Estados Unidos expressaram sua preocupação que um eventual ataque do exército sírio, ajudado pelas forças russas, gere mais ataques contra facções moderadas, fazendo naufragar a trégua e as negociações de paz.

"Nós estamos muito, muito preocupados sobre o recente aumento da violência. E isso inclui ações que nós acreditamos estarem em contradição com o cessar das hostilidades", declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner.

Por sua parte, o grupo Estado Islâmico recuperou o controle de Al Rai, um valioso posto fronteiriço com a Turquia, do qual havia sido expulso na semana passada pelos rebeldes, informou a ONG.

"Não interessa nem à Frente Al-Nosra e nem ao EI um cessar-fogo ou uma solução pacífica para a guerra na Síria, porque isso eliminaria seu papel", destacou Rahman.

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