O anúncio ocorre menos de dois meses depois de Yatseniuk superar uma moção de censura que não conseguiu os votos necessários para afastá-lo. Ele resistiu, apesar do apelo do chefe de Estado Petro Poroshenko por sua renúncia, após uma série de escândalos de corrupção.
"A crise política na Ucrânia está sendo alimentada artificialmente. O desejo de mudar um só rosto cegou os políticos do país e paralisa sua vontade de mudanças reais", defendeu-se Yatseniuk neste domingo.
Sua renúncia será validada na terça-feira pelos deputados, e Poroshenko já designou o presidente do Parlamento, Volodymyr Groisman, para suceder-lhe.
Yatseniuk se pronunciou a favor de uma "nova legislação eleitoral, reformas constitucionais, uma reforma da Justiça, uma coalizão que controle o novo governo, o apoio internacional à Ucrânia e sua integração na União Europeia e na Otan".
Em entrevista divulgada neste domingo, mas dada antes do anúncio de Yatseniuk, o chefe de Estado anunciou que esperava para breve a candidatura de Groissman ao cargo de premiê.
"Espero que sea Groissman, mas trabalharei com qualquer primeiro-ministro", declarou.
Até o momento, Yatseniuk, de 41 anos, não falou sobre suas intenções futuras.
"A partir de agora, vejo minha missão de um modo mais amplo do que meus poderes como primeiro-ministro", afirmou, sem dar detalhes.
No cargo há dois anos e durante muito tempo considerado o "menino mimado" do Ocidente, Arseni Yatseniuk foi muito criticado nos últimos meses pelas insuficientes reformas colocadas em andamento e por sua suposta defesa dos interesses dos oligarcas no país.
Sua renúncia abre caminho para um governo totalmente novo na Ucrânia, embora o mais provável é que continua a linha pró-Ocidente.
Segundo os especialistas, uma das mudanças mais significativas pode acontecer na pasta das Finanças. A atual ministra, Natalie Jaresko, pode ser substituída pelo ex-ministro eslovaco das Finanças Ivan Miklos, que disse estar disposto a integrar o novo governo - desde que possa manter sua nacionalidade eslovaca e desde que tenha liberdade para combater a corrupção.