Os palestinos começaram a divulgar um projeto de resolução que condena a colonização israelense, ou seja, a construção de assentamentos civis na Cisjordânia ocupada ou em Jerusalém Oriental, a parte da cidade de maioria árabe.
A comunidade internacional considera ilegal esta colonização.
O esforço palestino coincide com o projeto iniciado em janeiro pela França para organizar uma conferência internacional nos próximos meses, que estimule o processo de paz. Paris promove a iniciativa após o fracasso em 2014 dos esforços americanos de mediação.
"Vamos vigiar para que não existam contradições entre os dois temas", o projeto de resolução e a iniciativa francesa, disse Abbas na sede da presidência palestina na Cisjordânia.
O governante palestino, de 81 anos, inicia nesta terça-feira uma viagem de duas semanas por Istambul, Paris, Moscou, Berlim e Nova York.
Na sexta-feira ele deve se reunir com o presidente francês, François Hollande, com quem diz ter uma relação "excepcional", para obter informações sobre o avanço da iniciativa francesa.
Até o momento, Abbas afirma que ouviu sobretudo ideias da França.
"O que importa agora é ouvir do presidente se estas ideias se transformaram efetivamente em uma iniciativa que o governo francês vai realizar", disse.
O horizonte se apresenta complicado. Além do fracasso da última iniciativa diplomática americana em 2014, ano em que palestinos e israelenses voltaram a protagonizar uma guerra em Gaza, mais de 200 pessoas morreram nos últimos seis meses em uma nova explosão de violência.
Do lado palestino persiste a divisão entre a Autoridade Palestina, estabelecida na Cisjordânia, e o movimento islamita Hamas, que governa a Faixa de Gaza.
Aberto a diálogo
Os israelenses não escondem a desconfiança a respeito da iniciativa francesa, que Abbas deseja promover durante a viagem internacional. Mas tampouco manifestaram uma oposição taxativa.
O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, hostil ao que chama de "ditados internacionais", insiste em uma retomada das negociações diretas entre israelenses e palestinos, sem condições prévias.
Abbas disse que, além das declarações de boa intenção, o diálogo não parece estar na ordem do dia.
"Estou disposto a encontrá-lo quando desejar", disse.
Ele explicou que não está pensando em nenhuma condição, mas que Israel deve, isto sim, congelar a colonização e libertar um certo número de presos palestinos, o que para Netanyahu é inaceitável.
Incógnita Obama
Nos últimos meses, um veterano diplomata francês, Pierre Vimont, tentou preparar o terreno para uma futura conferência internacional e se reuniu com altos funcionários israelenses, palestinos, árabes, americanos e russos.
A direção palestina considera a França um de seus principais apoios no Ocidente. A grande incógnita é a atitude dos Estados Unidos e se o presidente Barack Obama fará um último esforço depois de mais de sete anos sem resultados.
Neste sentido é necessário observar se após anos de uma relação tensa com Netanyahu, Obama terá o desejo de enviar uma mensagem forte, permitindo a aprovação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU contra a colonização israelense na Cisjordânia.
Abbas estimulou Obama a dar o passo.
"Durante oito anos esperamos da administração americana medidas positivas a favor daquilo no que os Estados Unidos acreditam: uma solução consistente em dois Estados. No momento, a administração americana não fez isto".