"Aceitar esta brincadeira com a democracia seria ficar pessoalmente comprometido com o atraso do processo. Ao fim e ao cabo, não cabe ao presidente do Senado Federal dizer se o processo é justo ou injusto", disse Renan Calheiros.
O presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, lançou uma bomba mais cedo, ao anular a sessão em que os deputados aprovaram, em 17 de abril, o impeachment contra Dilma, argumentando que houve "prejulgamento" e "ofensa ao amplo direito de defesa".
"Nenhuma decisão monocrática pode se sobrepor a uma decisão colegiada. A decisão foi tomada pelo conjunto dos deputados no plenário daquela Casa", prosseguiu Renan Calheiros, em alusão ao plenário da Câmara dos Deputados, que aprovou o impeachment com esmagadora maioria de 367 votos a favor entre 513 deputados.
Maranhão anunciou sua decisão 48 horas antes do início da votação no plenário do Senado para decidir sobre a abertura do impeachment contra Dilma, acusada de "crime de responsabilidade" por ocultar déficits orçamentários com empréstimos de bancos estatais.
Se o impeachment for aprovado, a presidente Dilma Rousseff seria suspensa do cargo por até 180 dias enquanto durar o processo, período em que o vice-presidente, Michel Temer, ex-aliado do governo e hoje seu maior inimigo, assumiria o poder.