"Se há rupturas ou fraturas, não podemos falar de má sorte ou de azar. Certamente tem a ver com erros sistemáticos na carga de treinamento e na coordenação do trabalho dos jogadores", explicou Lienhard, em entrevista à agência alemã SID, filial da AFP.
O cientista de prestigio usou o exemplo do Bayern de Munique do técnico Pep Guardiola, muito prejudicado por lesões. Nesta temporada, 16 atletas foram entregues ao departamento médico, como o alemão Holger Badstuber (fratura de tornozelo), última vítima, na semana passada.
Guardiola esteve no centro das críticas na Alemanha por supostamente ter apressado a volta de jogadores como Franck Ribéry e Javi Martínez, que rapidamente voltaram a se lesionar.
"É fácil demais culpar somente a equipe médica e o técnico diante da frequência das lesões. O gerenciamento da reabilitação, da reconstrução muscular e da carga de trabalho são os fatores principais", explicou Lienhard.
O cientista apontou também para um fator cerebral e para a memória das lesões. "É necessário seguir uma reprogramação neural paralela à reabilitação física".
No caso de Badstuber, que sofreu graves lesões nos últimos três anos, é "evidente" que a recente fratura no tornozelo é consequência das lesões anteriores.
"O sistema cerebral não foi corrigido", concluiu Lienhard, que hoje trabalho com a Federação Alemã de Atletismo em preparação para os Jogos Olímpicos do Rio-2016.