"Estamos dispostos a virar a página entre nossos países", havia declarado pouco antes Rohani em uma reunião com empresários franceses e iranianos, na qual participou o premiê francês, Manuel Valls.
Além disso, o presidente iraniano declarou que os dois países devem "lutar contra o fanatismo, o terrorismo e o extremismo", principalmente compartilhando informações.
Evocando "problemas de segurança" no Oriente Médio durante uma coletiva conjunta com o presidente Hollande, ele acrescentou "que devemos ser muito ativos no domínio de troca de informações".
Desde a revolução islâmica de 1979, as relações entre Teerã e Paris atravessaram várias crises até a conclusão, em julho de 2015, de um acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.
Graças ao levantamento das sanções internacionais, o Irã e seus 79 milhões de habitantes se abrem ao comércio ocidental.
Rohani chegou na quarta-feira à França em visita oficial. Durante o dia, assinou um protocolo de acordo para a aquisição de 118 aviões do fabricante europeu Airbus, num valor de 25 bilhões de dólares.
A gigante do petróleo Total também assinou um contrato para comprar de Teerã "entre 150.000 e 200.000 barris de petróleo por dia". O Irã dispõe da quarta maior reserva mundial e exporta um pouco mais de um milhão de barris dos 2,8 milhões produzidos por dia.
Outro acordo vai estabelecer o retorno ao Irã da construtora automobilística PSA Peugeot Citroën, por meio de uma parceria com o grupo local Iran Khodro, que produzirá 200.000 veículos por ano, segundo uma fonte do governo francês.
Pouco após sua chegada, o presidente Rohani reuniu-se em Paris com dirigentes de cerca de 20 grandes empresas francesas, perante os quais "formalizou o desejo de ver as relações (comerciais) se desenvolverem", segundo o ministro francês da Economia, Emmanuel Macron.
Nesta perspectiva, Macron anunciou um acordo com uma garantia pública do Estado francês para investimentos futuros de empresas do país no Irã.
Durante sua escala na Itália, Hassan Rohani assinou cerca de quinze acordos avaliados entre 15 e 17 bilhões de euros.
Itália e França eram, antes das sanções impostas ao Irã, em 2006, dois de seus principais sócios econômicos europeus, e querem recuperar seu lugar neste país rico em petróleo e gás.
A questão dos direitos Humanos no Irã, que foi objeto de manifestações nesta quinta-feira na capital francesa, também foi abordada durante os encontros.
Neste sentido, o presidente Hollande ressaltou "o apego da França aos direitos Humanos".
Segundo a Anistia Internacional, a República Islâmica é o país que mais executa menores de idade no mundo.
Sobre o conflito na Síria, os encontros devem "permitir conciliar os pontos de vista", segundo um diplomata francês. Ator importante na crise síria, o Irã apoia o presidente Bashar al-Assad, de quem Paris pede a partida.
"É urgente a implementação de medidas humanitárias e negociar uma transição política. Ela é possível", garantiu Hollande, lamentando uma "negociação que tarda em iniciar" entre as partes em conflito, em Genebra, sob a égide das Nações Unidas.
Paris, próximo da Arábia Saudita, também abordou com o presidente iraniano a crise que afeta as relações entre os dois países.
Teerã e Riad romperam relações diplomáticas no início de janeiro após a execução de um clérigo xiita pela Arábia Saudita e o ataque à embaixada saudita na capital iraniana.