"Mas agora estamos no caminho certo", disse Bendine, ao traçar um breve balanço do ano com jornalistas.
"Nosso maior desafio é reperfilar a dívida da empresa", comentou.
Bendine afirmou que, apesar do difícil cenário, houve em 2015 uma redução da dívida em dólares de 5% e, para reduzi-la ainda mais, não há outro caminho a não ser o desinvestimento. Segundo o presidente, este aumentará em 2016.
O passivo da Petrobras ronda os 500 bilhões de reais, enquanto o valor da companhia na Bolsa oscila em 110 bilhões de reais.
A dívida da Petrobras subiu mais de 40% ao longo deste ano, com a desvalorização do real em relação à moeda americana.
Na última semana, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou a nota da dívida da companhia pela terceira vez em 2015 e a deixou na categoria especulativa (Ba3), abrindo caminho para um novo rebaixamento.
As razões são "os elevados riscos de refinanciamento da Petrobras frente às deterioradas condições da indústria, que dificultam obter dinheiro através da venda de ativos; condições de financiamento mais restritivas para companhias no Brasil e na indústria petroleira; e a magnitude das necessidades eventuais de financiar os vencimentos da dívida", explicou a Moody's.
Menor, porém mais rentável
Para 2015 e 2016, a empresa prevê desinvestimento por um total de 15,1 bilhões de dólares e, embora o apetite dos investidores seja tímido, ainda não inclui o pré-sal.
A Petrobras, que chegou a ser a maior empresa do Brasil com mais de 80.000 funcionários e motivo de orgulho para os brasileiros, busca se desfazer de ativos não essenciais para melhorar sua geração operacional de caixa e diminuir o desequilíbrio financeiro.
Segundo Bendine, o caixa da empresa permite enfrentar sobressaltos no mercado com facilidade e, em 2016, o caixa será robusto.
A empresa, que produz 2,1 milhões de barris de petróleo por dia (812.000 do pré-sal), tem pela frente dívidas a pagar: mais de 50 bilhões de reais em 2016, cerca de 45 bilhões em 2017, mais de 60 bilhões em 2018 e 90 bilhões em 2019.
Os investimentos também caíram: a empresa pretendia investir 45 bilhões de dólares em 2015, mas esse número caiu em três oportunidades, até chegar a 23 bilhões de dólares.
Bendine garante que, em quatro anos, a empresa voltará a um cenário positivo.
"Será uma empresa talvez menor do que ela já foi, mas, com certeza, muito mais rentável e uma empresa com uma capacidade operacional muito melhor", prometeu, reconhecendo, contudo, que ainda há um contexto de "grande desconfiança".
De acordo com uma fonte da empresa, os resultados financeiros de 2015 devem ser divulgados em fevereiro. Prevê-se uma confirmação do prejuízo.