Este "momento histórico" foi recebido por uma salva de palmas de vários minutos tomou conta da sala de conferências, seis anos após o fiasco da COP15 de Copenhague, que fracassou em selar um acordo parecido.
O Acordo de Paris vai substituir a partir de 2020 irá o atual Protocolo de Kyoto, e estabelece as bases para a redução das emissões de gases de efeito estufa e, mais importante, para começar a sonhar com um mundo sem combustíveis fósseis.
O texto, de 31 páginas em inglês, liga o destino das grandes potências emissoras de efeito estufa, como Estados Unidos e China, ao das pequenas ilhas do Pacífico ameaçadas pelo aumento do nível dos oceanos.
Os países industrializados, responsáveis históricos pelo problema, deverão ajudar financeiramente os países em desenvolvimento.
A embaixadora francesa Laurence Tubiana, braço direito de Laurent Fabius, deu um longo abraço em Christiana Figueres, a responsável pelo clima da ONU, antes que o presidente francês, François Hollande, ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Numa atmosfera eufórica, eles ergueram os braços e seguraram as mãos, sob os aplausos dos ministros e delegados.
Para limitar os desajustes do clima - multiplicação das ondas de calor, secas, inundações e rápido degelo das geleiras - o acordo estabelece a ambiciosa meta de manter o aquecimento global "bem abaixo de 2°C" e pede "esforços contínuos para limitar o aumento em 1,5°C", em relação à era pré-industrial.
Um objetivo mais ambicioso do que os 2°C vislumbrados inicialmente, que era ansiosamente exigido pelos países mais vulneráveis.
A ajuda aos países em desenvolvimento, que deve chegar a 100 bilhões de dólares anuais em 2020, tem que ser "um degrau", revisto para cima. Esta foi uma das principais exigências dos países do Sul.
Em plenária, discursos entusiasmados receberam o acordo - apenas com a Nicarágua fazendo reservas.
"Acreditamos que este acordo pode representar um ponto de virada para um mundo melhor e mais seguro", declarou Edna Molewa, ministra sul-africana do Meio Ambiente, cujo país preside o mais importante grupo de países, o G77+China (134 países emergentes e em desenvolvimento).
Em nome dos países desenvolvidos, a ministra australiana Julie Bishop agradeceu Fabius, "nosso presidente". "Nós podemos voltar para casa agora e colocarmos em prática este acordo histórico".
"A história vai julgar o resultado não apenas com base no acordo de hoje, mas no que vamos fazer daqui pra frente", reagiu Thoriq Ibrahim, ministro do Meio Ambiente das Ilhas Maldivas e presidente do grupo dos pequenos estados insulares. "As energias renováveis devem ser acessíveis a cada pessoa em cada continente", pediu.
"Eu sei que todos nós viveremos melhor graças a este acordo que fechamos hoje", reagiu o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.
- Acelerar a transição energética -
Refletindo um sentimento compartilhado pelas ONGs ambientalistas, o grupo ambientalista Greenpeace afirmou, antes de sua adoção, que o acordo marca um "ponto de virada" e relega os combustíveis fósseis "ao lado errado da História", afirmou o grupo ambientalista Greenpeace.
O objetivo de alcançar em 2015 um acordo universal juridicamente vinculante foi fixado em 2011 em Durban, na África do Sul. As discussões muitas vezes trabalhosas dos últimos anos culminaram nessas duas semanas no centro de Le Bourget, ao norte de Paris.
No início da 21ª Conferência sobre o clima da ONU, 150 chefes de Estado e de Governo expressaram a urgência de tomar medidas contra um fenômeno que agrava as ondas de calor, secas, inundações, etc... e afeta principalmente os países pobres.
O aumento dos termômetros também ameaça a produtividade agrícola, os recursos marinhos e as reservas de água em muitas regiões. E quanto à subida dos oceanos, põe em perigo os Estados insulares, como Kiribati, e as comunidades costeiras.
Esse pacto, que entra em vigor em 2020, deve acelerar um movimento de redução do uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás), promover as energias renováveis e modificar o manejo de florestas e terras agrícolas.
O acordo reconhece a importância de dar um preço ao carbono para lutar eficazmente contra o aquecimento global.
"Em 2014, foi a primeira vez que os investimentos em energias renováveis ultrapassaram os em combustíveis fósseis, este movimento deve ser acelerado e o acordo contribuirá para isso", disse Matthieu Orphelin, da Fundação Nicolas Hulot.
Antes da conferência, quase todos os Estados se comprometeram a limitar suas emissões de gases do efeito estufa, mas seus esforços, se materializados, colocam o planeta na rota de um aumento do termômetro global estimada em + 3°C.
Para fazer melhor, o princípio de uma revisão obrigatória desses objetivos nacionais a cada cinco anos foi pautada. Mas o projeto de acordo define que a primeira revisão será apenas em 2025. Muito tarde, criticam as ONGs.
"Com +2°C, o clima já será bastante diferente de hoje", lembra o climatologista Jean Jouzel, "mas 2°C ou menos, é o objetivo que precisamos cumprir se, no final do século, quisermos viver um mundo onde possamos nos adaptar".
O texto leva em conta o princípio da "diferenciação", querendo que os países desenvolvidos sejam mais envolvidos em virtude de sua responsabilidade histórica nas missões de gás de efeito estufa.
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