"Este é só o início do caminho que culminará com a realização do referendo revogatório e a eleição de um governo de unidade", escreveu no Twitter o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba.
"Deram-nos 30 dias - a partir de terça-feira, 26 de abril - para recolher as assinaturas. Nós o fizemos em tempo recorde", afirmou no domingo o porta-voz da oposição, Jesús Torrealba.
O CNE deverá constatar em um prazo de cinco dias o número, e depois convocar os signatários a ratificar seu apoio em outros cinco dias contínuos. Apenas depois da validação, o Conselho autorizaria a coleta de quatro milhões de assinaturas (20% do colégio) para convocar o referendo.
"Também vamos fazer em tempo recorde, porque o país quer sair deste governo", afirmou Torrealba.
Mas um novo foco de conflito deve ser registrado. Tania D'amelio, diretora do CNE, afirmou no Twitter que para começar a verificação das assinaturas "é necessário cumprir o período de 30 dias fixado para a coleta de 1%" do colégio eleitoral, ou seja, a partir de 26 de maio.
A oposição, que acredita na convocação do referendo no fim do ano, afirma que a verificação deve começar assim que as assinaturas forem apresentadas, critério compartilhado por outro diretor do CNE, Luis Emilio Rondón. A divergência deve ser esclarecida em breve.
No poder desde 2013, após a morte de seu mentor, Hugo Chávez (1999-2013), Maduro anunciou ter criado uma comissão para rever as assinaturas.
"O referendo é uma opção, não uma obrigação. Aqui, a única coisa que é obrigação são as eleições presidenciais e serão em 2018 - dezembro de 2018. É a única obrigação que temos", disse Maduro a milhares de simpatizantes por ocasião do Dia do Trabalhador.
Mas diante da hipótese de ter que deixar o poder por via constitucional ou derrubado por um golpe de Estado, Maduro convocou seus partidários a se declararem em "rebelião" - mas de forma "pacífica", frisou.
"Se, algum dia, a oligarquia fizer algo contra mim e conseguirem tomar este palácio, por uma via, ou por outra, eu ordeno a vocês que se declarem em rebelião e decretem uma greve geral indefinida, até obter a vitória frente à oligarquia. Uma rebelião popular com a Constituição na mão", completou.
Para revogar Maduro, o "Sim" deve obter mais dos que os 7,5 milhões de votos que ele recebeu após a morte de Chávez em 2013 para completar o período de seis anos. A oposição afirma ter certeza de alcançar o número necessário.
Uma pesquisa recente da empresa Venebarómetro indicou que 68% dos venezuelanos desejam a saída de Maduro e novas eleições, enquanto 84% consideram negativa a situação do país.
A Venezuela enfrenta uma forte recessão desde 2013. No ano passado a contração foi de 5,7% e a inflação chegou a 180,9%, a maior do mundo.
O país também enfrenta a escassez de alimentos, remédios e outros produtos básicos, assim como cortes de energia elétrica programados pelo governo em consequência da seca.
Neste contexto de tensão social, o papa Francisco enviou uma "carta pessoal" ao presidente Nicolás Maduro após a recente oferta da Igreja Católica de ser mediadora no país, segundo informaram nesta segunda-feira fontes do Vaticano.
Embora o conteúdo da carta não tenha sido divulgado, fontes do Vaticano confirmaram que o Papa "acompanha de perto a situação na Venezuela" e recordaram que o pontífice já convidou as partes a sentar e conversar em um de seus últimos discursos por ocasião do domingo de Páscoa.