A principal coalizão de oposição síria é esperada neste sábado em Genebra para participar das discussões organizadas pela ONU, na esperança de pôr fim a cinco anos de guerra no país, onde a situação humanitária é catastrófica A principal coalizão de oposição síria é esperada neste sábado em Genebra para participar das discussões organizadas pela ONU, na esperança de pôr fim a cinco anos de guerra no país, onde a situação humanitária é catastrófica

A principal coalizão de oposição síria chegou neste sábado a Genebra para participar das discussões organizadas pela ONU, mas ameaçou partir de imediato se o regime continuar cometendo "crimes" contra a população, massacres de crianças em particular.

"Ajudem-nos a salvar as últimas crianças da Síria", declarou um dos membros da comitiva pouco tempo depois de chegar à cidade suíça para participar de diálogos indiretos sob a égide da ONU.

"Se o regime persiste em seus crimes, a presença de delegação do Alto Comitê de Negociações (ACN) não se justificará", afirmou Riad Hijab, coordenador desta coalizão, a principal da oposição, em uma declaração em árabe publicada na internet.

"A delegação comunicará a (o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan) De Mistura sua intenção de se retirar das negociações se a ONU e as potências mundiais não puserem um fim a estes crimes", acrescentou Hijab, que não está em Genebra.

Os representantes do ACN chegaram a Genebra neste sábado, um dia depois da delegação do governo de Al Assad, que já manteve conversações preliminares com De Mistura.

O ACN, que se reunirá com De Mistura no domingo, por enquanto se nega a negociar, inclusive de forma indireta, com os representantes do regime.

Criado em dezembro, em Riad, o ACN, que reúne grupos de opositores políticos e representantes de grupos armados, se recusava a participar dessas negociações devido à situação humanitária catastrófica na Síria.

Sobre as negociações, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, e o secretário de Estado americano, Jonh Kerry, concordaram em "avaliar os progressos" em 11 de fevereiro, segundo o ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Por sua vez, o líder do principal partido curdo sírio PYD, Saleh Muslim, e outras autoridades curdas que estavam em Genebra à espera de serem convidados a participar nas negociações deixaram a Suíça.

"Vamos embora de Genebra porque não recebemos convite. Não nos sentiremos comprometidos com nenhuma decisão tomada em Genebra, incluindo um cessar-fogo", indicou uma fonte da delegação que não quis se identificar.

"Sem nós o processo (de Genebra) sofrerá o mesmo destino que as negociações precedentes", acrescentou a fonte, em referência ao fracasso das discussões em 2014.

Esperanças escassas

No terreno, a situação está piorando a cada dia, principalmente em Madaya, cidade perto de Damasco sitiada pelas forças do regime, onde 16 pessoas morreram de fome desde meados de janeiro, de acordo com a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

E os compromissos adotados para convencer o ACN a participar das discussões estão justamente relacionadas com a implementação das medidas humanitárias previstas na resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU para a suspensão dos bombardeios em áreas civis e um acesso humanitário às localidades sitiadas.

Os Estados Unidos, a Arábia Saudita e a França saudaram a decisão do ACN de participar das discussões, fazendo referência a esta resolução.

As negociações devem "alcançar uma transição política sem Assad e acabar com o sofrimento dos sírios", insistiu em um comunicado o chefe da diplomacia britânica, Philip Hammond.

A questão do destino do presidente Bashar al-Assad, visto pelo Ocidente como o carrasco de seu próprio povo, é uma das mais difíceis, uma vez que os russos e iranianos rejeitam a sua exclusão.

"Nenhum aspecto deve ser deixado de fora", ressaltou neste sábado seu colega francês, Laurent Fabius, para quem as discussões devem se concentrar no "direito humanitário" e na "transição política".

A ONU decidiu manter a abertura das discussões na sexta-feira, apesar da ausência do ACN e de Mistura se reuniu com a delegação de Damasco liderada pelo embaixador sírio na ONU, Bashar Jaafari, e que conta com cerca de quinze pessoas.

O encontro, descrito pelo enviado da ONU como uma "reunião preparatória", marcou o pontapé inicial de um diálogo inter-sírio simbólico, organizado após uma grande pressão internacional e que deve durar seis meses.

As grandes potências esperam que os sírios consigam pôr fim a uma guerra que deixou mais de 260.000 mortos e milhões de refugiados e deslocados desde março de 2011.

De acordo com o roteiro, fixado em uma resolução da ONU em dezembro, os sírios precisam concordar sobre um corpo transitório para organizar eleições em meados de 2017.

As esperanças de sucesso são escassas, dada a extrema complexidade da questão e a participação direta ou indireta de uma dúzia de países no conflito.

As discussões adiante, apesar da emergência humanitária, serão difíceis.

Por outro lado, a Turquia denunciou que um avião russo Su-34 violou seu espaço aéreo, apesar das reiteradas advertências e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan alertou a Rússia contra "iniciativas irresponsáveis" que comprometem "a paz regional e mundial".

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