Operários imigrantes que trabalham na construção de estádios para o Mundial-2022 do Catar, em Al-Wakrah, no dia 4 de maio de 2015 Operários imigrantes que trabalham na construção de estádios para o Mundial-2022 do Catar, em Al-Wakrah, no dia 4 de maio de 2015

Mais de 100 operários imigrantes que trabalham na construção dos estádios da Copa do Mundo do Catar-2022 sofreram abusos flagrantes e sistemáticos, incluindo trabalho forçado, afirma a Anistia Internacional em relatório que será publicado nesta quinta-feira.

É a primeira vez que a Anistia Internacional criticou oficialmente as condições de vida de trabalhadores estrangeiros numa obra da Copa do Mundo.

Os responsáveis pela organização da Copa do Mundo afirmam que os problemas denunciados no relatório já foram remediados.

A entidade de defesa dos direitos humanos, sediada em Londres, garante que os operários que trabalham na construção do estádio Khalifa Internacional -que sediará o Campeonato Mundial de Atletismo em 2019- foram vítimas de trabalho forçado.

As empresas que contratam imigrantes para trabalhar nas o obras mentem em relação ao salário pago, enquanto outros operários não recebem pagamento durante meses, além de serem obrigados a morar em "campos sórdidos", denuncia a Anistia.

Sete operários foram impedidos de voltar para casa para ajudar suas famílias, após o terremoto de abril de 2015 no Nepal. "É uma Copa do Mundo baseada na exploração", acusou Mustafa Qadri, membro da Amnistia.

O relatório, intitulado "A cara horrível do jogo bonito", poderia reascender as críticas internacionais contra o Catar e aumentar a pressão sobre a Fifa e seu novo presidente, o suíço Gianni Infantino.

A Anistia garante que investigou a situação no Catar durante um ano, até fevereiro de 2016, entrevistando mais de 234 operários, principalmente oriundos de Bangladesh, Índia e Nepal.

De acordo com a Anistia, cerca de 230 operários afirmaram que seus salários eram inferiores ao que previamente havia sido prometido. Alguns chegaram a se endividar para poder viajar ao Catar, pagando em torno de 4.300 dólares por pessoa, o que não permitia que largassem o trabalho.

Muitos operários tiveram seus passaportes confiscados, algo que é proibido pela própria lei do Catar.

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