O enviado especial da ONU para a Síria propôs uma solução para o conflito com a permanência do presidente Bashar al-Assad, o que a oposição rejeitou categoricamente, declarou neste sábado à AFP um representante da delegação da oposição presente em Genebra para as discussões de paz.

"Staffan de Mistura sugeriu que o presidente Assad aprove a nomeação de três vice-presidentes escolhidos por nós e que ele transfira seus poderes militares e políticos, mantendo apenas uma posição protocolar", informou, sob condição de anonimato, este opositor, membro do Alto Comitê de Negociações (HCN), que reúne as principais facções opositoras a Damasco.

Durante uma reunião na sexta-feira com a oposição, de Mistura "afirmou que não se tratava de uma proposta dele, mas não revelou seus autores", acrescentou.

"Nós rejeitamos categoricamente esta proposta", disse ele.

Uma nova reunião está marcada para segunda-feira com o mediador.

O HCN insiste em formar um órgão de transição, mas sem a presença do presidente sírio. "Não podemos aceitar a participação no (futuro) corpo de transição de autoridades que cometeram crimes contra o povo sírio", ressaltou na sexta-feira Salem al-Meslet, o porta-voz do HCN.

No entanto, a oposição manifestou a sua disponibilidade para formar um governo de transição com diplomatas e tecnocratas do regime de Damasco.

Em sua resolução 2254, a ONU prevê a formação até o outono (boreal) de um órgão de transição e a elaboração de uma nova Constituição antes da organização de eleições presidenciais e legislativas em 2017.

Damasco está disposto a considerar um governo de coalizão com a oposição, mas considera que o destino de Assad é uma "linha vermelha" que não é negociável.

O chefe da delegação em Damasco, Bashar al-Jaafari, teve uma primeira reunião com De na sexta-feira em Genebra.

Não está claro se o enviado especial comentou com ele sobre esta proposta. Uma nova reunião está marcada para segunda-feira.

De acordo com o chefe do HCN, o mediador da ONU tentou justificar a sua nova proposta, afirmando que ela "poderia resolver a questão da transferência de poderes do presidente (..) com base na Constituição atual".

Já a oposição questionou o apoio dos países ocidentais, com os Estados Unidos na liderança.

"Notamos que os americanos e os outros Estados que nos apoiam deram passos para trás em nossas exigências pela saída de Assad, pelo fim ao cerco às cidades sírias, pelo fornecimento de ajuda humanitária e sobre as violações da trégua", lamentou.

Um cessar-fogo está em vigor na Síria desde 27 de fevereiro, mas a oposição denunciou uma ofensiva lançada nos últimos dias pelo regime para assumir o controle da região de Aleppo.

As negociações de paz sobre a Síria foram retomadas na quarta-feira no Palais des Nations, em Genebra, sede da ONU, para tentar acabar com um conflito que já custou mais de 270.000 vidas e que levou milhões de sírios ao exílio.

A primeira rodada de negociações, que foi realizada no mês passado, não permitiu grandes progressos.

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