O porta-voz das Nações Unidas, Stephan Dujarric, expressou que ainda não foi tomada nenhuma decisão e que a coalizão foi eliminada da lista até agosto, quando serão conhecidos os resultados de um informe.
"Não se trata de uma mudança de política", disse Dujarric. "Veremos o que o informe determina e ajustaremos a lista conforme necessário".
As ONGs Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional (AI) criticaram duramente o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, ao acusá-lo de afetar a credibilidade do organismo, cedendo às pressões de Riad.
"Como esta lista abre o caminho à manipulação política, perde sua credibilidade e contamina o legado do secretário-geral no campo dos direitos humanos", disse Philippe Bolopion, diretor-adjunto do HRW.
Enquanto isso, o titular da AI na ONU, Richard Bennett, informou que "não há precedentes (no organismo) de ceder à pressão para modificar seu próprio informe sobre crianças em conflitos armados".
A ONU tinha incluído a coalizão na lista após concluir que era responsável por 60% das 785 crianças mortas no Iêmen no ano passado.
A Arábia Saudita reagiu com irritação e exigiu a correção do informe, que será revisto em conjunto pela ONU e Riad.
O embaixador saudita Abdallah al Mualimi disse que o número de crianças mortas era "muito exagerado" e proclamou que a decisão de ser eliminado da lista era "irreversível".
A coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou em março de 2015 uma campanha de ataques aéreos contra as zonas controladas pelos rebeldes xiitas huthis em Sanaa, capital do Iêmen, e outras zonas do país.
A guerra deixou cerca de 6.400 mortos e mais de 80% da população precisa de ajuda humanitária, segundo a ONU.
A polêmica sobre a inserção da coalizão saudita na lista negra teve repercussão similar à decisão, no ano passado, de excluir Israel, devido à morte de 500 crianças na guerra de Gaza.