Mesa de negociações organizadas pela ONU com o objetivo de colocar fim a cinco anos de guerra na Síria, em Genebra, no dia 29 de janeiro de 2016 Mesa de negociações organizadas pela ONU com o objetivo de colocar fim a cinco anos de guerra na Síria, em Genebra, no dia 29 de janeiro de 2016

As negociações organizadas pela ONU com o objetivo de colocar fim a cinco anos de guerra na Síria começou nesta sexta-feira em Genebra, apesar da ausência dos principais grupos opositores.

A reunião começou no final da tarde com um encontro entre o emissário especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, e uma delegação de 16 membros, dirigida pelo embaixador sírio na ONU, Bashar al Jaafari.

Um início modesto, sem cerimônia nem discurso, para este diálogo organizado sob grande pressão pela comunidade internacional.

Está previsto que estas negociações inter-sírias, que buscam por fim a uma guerra que deixou mais de 260.000 mortos e milhares de refugiados desde março de 2011, durem seis meses.

No entanto, começam em meio a uma grande confusão e com a ausência de grupos chave da oposição síria que exigem como condição para sua participação uma melhora da situação humanitária na Síria.

Este grupo, o Alto Comitê de Negociações (ACN), formado em Riad, exige a melhora da situação humanitária antes de voltar à Suíça.

Segundo Bettina Luescher, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PAM), 18 zonas na Síria estão sitiadas e mais de 4,6 milhões de pessoas têm pouco ou nenhum acesso à ajuda humanitária.

"O PAM pede que todos os atores e organizações humanitárias tenham acesso a estas zonas para entregar ajuda de urgência, comida, água e medicamentos", disse ante a imprensa a partir de Genebra.

Com quais opositores falar?

O ACN, conhecido como o grupo de Riad, foi criado em dezembro para reunir os principais grupos rebeldes, tanto organizações armadas quanto os partidos políticos, ante a perspectiva destas negociações.

Conta com o apoio de Arábia Saudita, Catar e França, mas é impugnado pela Rússia, aliada do regime de Damasco, que denuncia a presença de terroristas em seu seio, principalmente o chefe negociador Mohamed Allouche, representante do grupo salafista Jaish al-Islam.

Além disso, outros opositores, que não contam com o apoio de Riad, mas que foram convidados a título pessoal pela ONU, já se encontram em Genebra e estão determinados a participar das negociações, ao mesmo nível que o grupo de Riad, o que aumenta a confusão.

Outra das perguntas é o tema da representação dos curdos. O PYD, o principal partido curdo, não foi convidado às negociações, para desgosto de Moscou.

O PYD sírio - considerado pela Turquia um braço do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), o inimigo número um de Ancara - luta em terra contra os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI), mas a oposição síria o acusa de complacência com o regime de Damasco.

A ONU previu negociações indiretas, com as partes em salas separadas e os emissários passando de uma a outra levando as propostas.

Rohani cético

Pouco antes do início das discussões, algumas dezenas de manifestantes se reuniram nesta sexta à tarde em frente à sede da ONU em Genebra para gritar: "Assad, Al-Qaeda, mesmos métodos, mesmo combate". "Assad não é a solução para o terrorismo, ele é a causa", acrescentaram.

As potências ocidentais, que por muito tempo exigiram a saída do presidente acusado de ser o carrasco do próprio povo, flexibilizou seu discurso frente ao crescimento do grupo Estado Islâmico (EI), considerado atualmente a principal ameaça.

Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos realiza ataques aéreos contra posições do grupo jihadista no Iraque e na Síria. E nesta sexta-feira, a Holanda anunciou que se juntará aos ataques no país.

Neste contexto, o presidente iraniano, Hassan Rohani, considerou que a resolução política da crise na Síria vai levar tempo, e não se deve ser muito otimista sobre o sucesso de uma solução negociada."É nossa esperança ver essas negociações serem concluídas o mais rapidamente possível. Mas duvido que acabe rápido, porque na Síria há grupos que estão lutando contra o governo central, mas também entre si. Também há interferências nos assuntos internos da Síria", afirmou aos veículos de comunicação franceses France 24, Le Monde e France Culture.

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