A resolução prevê para o "começo de janeiro" o início das negociações entre o governo e os rebeldes sírios para pôr fim a quatro anos e meio de guerra e que se declare um cessar-fogo. O texto pede à ONU que prepare, em um mês, várias opções para implantar "um mecanismo de verificação e de supervisão" da trégua.
Estados Unidos, Rússia e outros três membros permanentes do Conselho de Segurança (França, Reino Unido e China) acertaram que dariam seu apoio aos esforços diplomáticos para buscar uma saída na Síria.
Para o secretário de Estado americano, John Kerry, a resolução envia "uma mensagem clara para todos os envolvidos de que a hora é agora para parar a matança na Síria".
O texto aprovado não menciona, porém, o assunto mais polêmico: o destino do presidente sírio, Bashar Al-Assad.
Reunião de alto nível em NY
Hoje pela manhã, 17 ministros das Relações Exteriores se reuniram em um hotel em Nova York, a convite do secretário John Kerry, do chanceler russo, Serguei Lavrov, e do enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura. A expectativa era adotar uma resolução no Conselho de Segurança, ratificando o processo de Viena.
A formulação da resolução terminou apenas 30 minutos antes da reunião do Conselho, inicialmente prevista para 15h locais (18h no horário de Brasília) e adiada por uma hora.
O projeto de resolução solicitava à ONU a convocação de "negociações formais sobre um processo de transição política, de maneira urgente, com o objetivo de começar essas discussões no início de janeiro de 2016".
Pouco antes, o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank Walter Steinmeier, havia dito que as discussões eram "difíceis".
"Os que estão reunidos ao redor dessa mesa são aqueles de que precisamos para chegar a um acordo, mas, ao mesmo tempo, os que chegaram até aqui fizeram isso com diferentes posições sobre este conflito sírio. É isso que dificulta as negociações", avaliou.
"O passo mais importante a dar é continuar avançando para um cessar-fogo real (...) entre os grupos de oposição armados e as forças de segurança do governo de Assad", havia comentado o ministro alemão, antes do encontro.
Oposição síria quer mais tempo
O encontro de hoje é o quinto desde o final de outubro do Grupo Internacional de Apoio à Síria, no âmbito do processo diplomático de Viena, que estabeleceu um mapa de paz para a Síria.
Nele, estão representados Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, Turquia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã, Líbano, Jordânia, China, Egito, Alemanha, Irã, Iraque e Itália, assim como ONU, União Europeia (UE), Organização para Cooperação Islâmica (OCI) e Liga Árabe.
Caso se chegue a um cessar-fogo na guerra que já deixou 250.000 mortos e forçou milhões de pessoas a deixar suas casas, as tropas sírias, russas e da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos poderão concentrar sua atenção no combate ao grupo Estado Islâmico.
O acordo em Viena prevê uma reunião a partir de 1º de janeiro entre representantes do governo e os rebeldes sírios, a formação de um governo de transição nos seis meses seguintes, um prazo de 18 meses para organizar eleições nacionais e um projeto de trégua.
A principal coalizão de oposição considerou hoje que o objetivo de chegar a um acordo de cessar-fogo em janeiro é pouco realista.
O representante na ONU da Coalizão Nacional Síria, Najib Ghadbian, pediu "cerca de um mês" para preparar as conversas de paz que se desenvolveriam em paralelo ao cessa-fogo. Ele também pediu que a Rússia ponha fim a seus bombardeios no âmbito da trégua.
"Os ataques russos continuam sendo dirigidos contra qualquer um menos contra o Estado Islâmico", denunciou Ghadbian.
O destino do presidente sírio, Bashar al-Assad, continua sendo o maior obstáculo para uma saída negociada para a crise.
Em sua última entrevista coletiva do ano, nesta sexta, o presidente Barack Obama reiterou que Assad deve deixar o poder.
Outro ponto delicado das negociações é a lista dos grupos "terroristas" que deveriam ser excluídos das negociações.
Hoje, a Jordânia anunciou em Nova York que havia apresentado uma "matriz" que reflete as diferentes posições presentes entre os 17 países do Grupo de Apoio. Esses integrantes submeteram diferentes listas das facções armadas consideradas terroristas.
Também hoje, depois da reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, o presidente francês, François Hollande, garantiu que o lucrativo contrabando de petróleo organizado da Síria pelo EI foi "amplamente reduzido".