(Arquivo) Soldados fazem uma operação no sul das Filipinas (Arquivo) Soldados fazem uma operação no sul das Filipinas

Combatentes afiliados ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI) intensificaram seus ataques no sul das Filipinas, uma região instável, onde o processo de paz com a rebelião muçulmana está estagnado.

Simpatizantes do grupo extremista sunita enfrentam o exército na região. A crise é antiga e a falta de ratificação no Parlamento de um acordo de paz com o governo não melhora as coisas.

A tentativa de assassinato esta semana de um pregador saudita que estava na lista de pessoas a serem mortas publicada pelo EI aumenta o medo em todo o país.

"Sua influência se estende e se fortalece", adverte Rodolfo Mendoza, analista do instituto filipino de pesquisa sobre a paz, a violência e o terrorismo.

Os grupos extremistas filipinos têm "planejando grandes operações, como bombardeios, ataques e assassinatos", garante.

120.000 mortos

O sul, onde a rebelião separatista muçulmana deixou mais de 120.000 mortos e onde vive parte da minoria muçulmana deste país predominantemente católico, sofre as consequências da violência há várias décadas.

Isso explica por que a região é uma das mais pobres do arquipélago e está sob o jugo dos senhores da guerra e bandos de criminosos que praticam extorsão.

O maior grupo rebelde, a Frente de Libertação Islâmica Moro (Milf), integrado por 10.000 homens, concluiu em 2014 um acordo de paz com o presidente Benigno Aquino.

Mas o texto, que dá mais autonomia para a região, não passou pelo filtro do Congresso, o que fez com que o processo de paz estagnasse.

O Milf assegura que vai respeitar o cessar-fogo, à espera das eleições presidenciais de maio.

Mas grupos extremistas hostis a um acordo com o regime se aproveitam da situação para tentar provar o seu valor para o EI, segundo os analistas.

"Há uma incitação para que demonstrem que é uma força de combate", assegura Zachary Abuza, um especialista do National War College, em Washington.

No ataque mais espetacular, um grupo considerado pelo exército como um grupo criminoso especializado em extorsão invadiu um acampamento militar em Mindanao, no sul das Filipinas.

Bandeiras negras

O ataque provocou uma semana de confrontos. Mais de 30.000 habitantes fugiram de suas casas.

Os atacantes hastearam bandeiras negras do EI. E quando os soldados recuperaram o controle do destacamento, eles encontraram faixas pretas com o nome do grupo, segundo o exército.

Ao mesmo tempo, a uma centena de quilômetros de distância, o exército enfrentava os Bangsamoro Islamic Freedom Fighters (Biff), que romperam com o Milf em 2008.

Desde então, atacaram aldeias cristãs, deixando 400 mortos e 600.000 deslocados.

"Se o governo continuar a arrastar o processo de paz, os confrontos vão continuar e outros grupos tentarão juntar-se ao EI", afirmou à AFP o porta-voz do Milf, Von al-Haq.

Zachary Abuza prevê novos combates com grupos que juraram fidelidade ao EI nos últimos anos. Entre eles, Abu Sayyaf, conhecido por sequestros de estrangeiros.

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