Almagro se pronunciou contra qualquer tentativa de atropelar o mandato da presidente Dilma Rousseff fora do que prevê a Constituição.
O mandato de Dilma "deve ser assegurado conforme a Constituição e as leis, por todos os poderes do Estado e todas as instituições do país, assim como se deve evitar qualquer desprezo por sua autoridade, venha de onde venha", disse Almagro.
Ao mesmo tempo, o secretário-geral da OEA considerou que "é imperativo" que se mantenha as investigações em andamento sobre os casos de corrupção como parte da operação 'Lava Jato'.
Para Almagro, a vigência do estado de direito impõe que "todos sejamos responsáveis e iguais diante da lei".
A nota também faz uma clara referência à atuação do juiz que conduz as investigações da "Lava Jato", Sérgio Moro, criticado por exceder suas atribuições.
"Nenhum juiz está acima da lei que deve aplicar e da Constituição que garante seu trabalho. A democracia não pode ser vítima do oportunismo, e sim deve ser mantida com a força das ideias e da ética", afirma Almagro.
O Brasil, já abalado por uma séria situação econômica, mergulhou definitivamente na crise política na semana passada, após a decisão da presidente Dilma de nomear o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia da Casa Civil.
Na Câmara dos Deputados, já foi formada uma comissão para debater o pedido de impeachment de Dilma, que cumpre seu segundo mandato consecutivo de quatro anos.
Partidários de Dilma e Lula realizam nesta sexta-feira manifestações de apoio ao governo nas principais cidades do país, após os protestos de domingo contra a presidente que reuniram milhões de pessoas.