Pessoas passam pela Assembleia Nacional da Venezuela, em Caracas, no dia 10 de dezembro de 2015 Pessoas passam pela Assembleia Nacional da Venezuela, em Caracas, no dia 10 de dezembro de 2015

A oposição venezuelana assume nesta terça-feira o controle do Parlamento sob forte confrontação com o chavismo, prometendo bloquear todas as iniciativas do governo.

Pela primeira vez, em 17 anos de administração, o chavismo é minoria na Casa.

A instalação da Assembleia Nacional, eleita nas históricas eleições parlamentares de 6 de dezembro, acontece em um ambiente de incerteza, agitado pela recente decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) de suspender três deputados da oposição e um governista.

Os quatro saíram vitoriosos das urnas no estado do Amazonas, sul do país.

Parte de uma sentença, na qual o TSJ analisou sete recursos de impugnação contra nove deputados opositores eleitos, a polêmica decisão ameaça a poderosa maioria de dois terços (112 das 167 cadeiras) conquistada pela Mesa da Unidade Democrática (MUD) nas eleições e que põe fim à hegemonia chavista.

O desafiador Henry Ramos Allup, antichavista aguerrido eleito no domingo pela MUD para substituir na presidência do Legislativo o número dois do chavismo, Diosdado Cabello, garantiu que os 112 deputados tomarão posse amanhã.

"Nenhuma decisão burocrática e muito menos por um organismo absolutamente carente de legitimidade de origem pode transtornar, frustrar, ou fraudar a vontade popular", manifestou este advogado de 72 anos, direto e sarcástico como Cabello.

No que foi classificado pela oposição como uma ação "desesperada" do governo para se blindar, a maioria oficialista em final de mandato da Assembleia convocou, na véspera do Natal, sessões extraordinárias para nomear 13 magistrados do máximo tribunal judicial. O órgão é chave já que será o árbitro nas disputas no Parlamento.

A oposição denunciou as impugnações de deputados como uma tentativa de "golpe de Estado judicial" perante as Nações Unidas, União Europeia, Unasul, Mercosul e Organização dos Estados Americanos. O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, pediu que "ninguém distorça" os resultados eleitorais "com estratagemas de juridicidade duvidosa".

Depois de acusar a oposição de jogar "sujo" com a "compra de votos e de atribuir a derrota eleitoral à "guerra econômica de empresários de direita", o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, advertiu que os chavistas vão reagir na "Assembleia burguesa", que pretende "privatizar tudo" e destruir os programas sociais.

Hoje, está em sessão o Parlamento Comunal promovido por Maduro como contrapeso a um Legislativo dominado pela oposição.

"Tudo indica que vamos por um caminho sinuoso", opinou o presidente da Datanálisis, Luis Vicente León. Para ele, o governo tentará, em primeiro lugar, "desconhecer a realidade e, depois, "será inevitável o conflito". Finalmente, acrescentou, deve-se chegar à negociação.

Mais confronto para 2016

Embora a MUD perca três deputados provisoriamente, ainda teria maioria qualificada de três quintos. Esses números podem lhe permitir promover uma lei de anistia para "75 presos políticos", entre eles o opositor radical Leopoldo López, condenado a quase 14 anos de prisão acusado de estimular a violência nos protestos de 2014.

Maduro antecipou que vetará a anistia, ao que Ramos Allup rebateu: o presidente "é quem para aceitar, ou não, uma lei".

"Nós temos poderes constitucionais para promulgá-la, caso sua insensatez negue tal promulgação", ressaltou Allup.

O veterano opositor garantiu que a MUD também promoverá reformas econômicas para concretizar a "mudança" prometida ao eleitorado e lembrou que, em julho passado, concordou em oferecer, no intervalo de seis meses, "uma solução democrática, constitucional, pacífica e eleitoral para a mudança do presente governo".

"É certo que o governo não está acostumado ao contrapeso e tenta evitá-lo a qualquer custo, mas também é verdade que a oposição se esqueceu, depois de tantos anos sem ter, como exercer o poder e tentar equilibrar o país com ele. É um processo de aprendizagem que requer tempo, esforço e inteligência", opinou Luis Vicente León.

Em meio à expectativa de mais crise, não se descartam os protestos nas ruas. A MUD convocou a população a "acompanhar" seus deputados em uma passeata nesta terça-feira, em Caracas, enquanto os chavistas vão-se manifestar, nesse mesmo dia, sob o lema "Os de Chávez nas ruas".

Para Diego Moya-Ocampos, analista para as Américas da IHS Global Insight, a instalação da Assembleia ressalta "o clima de confrontação" que "marcará as dinâmicas políticas de 2016, onde as Forças Armadas desempenharão um papel-chave, por trás dos bastidores".

Sporaga.com, diversão para fãs de futebol que respiram esporte 24 horas por dia. Sporaga, símbolo de paixão e amor ao jogo.

Cadastre-se hoje com o código promocional "Play2Win" e Ganhe US$3 + envie US$3 para cada amigo e ganhe US$1 para cada cadastrado.