Membros da escola de samba União da Ilha do Governador trabalham em carro alegórico, no Rio de Janeiro, no dia 27 de janeiro de 2016 Membros da escola de samba União da Ilha do Governador trabalham em carro alegórico, no Rio de Janeiro, no dia 27 de janeiro de 2016

Um desfile de carnaval comemorando os Jogos Olímpicos, que começam em seis meses no Rio: a ideia proposta pelo prefeito da cidade à escola de samba União da Ilha parecia promissora e cheia de potencial.

Mas a recessão econômica que abala o Brasil afastou a maioria dos patrocinadores, num momento em que o preço dos materiais importados explode em função da alta do dólar.

A poucos dias dos desfiles exuberantes no Sambódromo, os ateliês da Cidade do Samba respiram a habitual efervescência. Artesões e costureiras fazem os últimos retoques nos carros e nos ornamentos.

Os voluntários apoiam suas escolas de samba com a mesma paixão de torcedores de futebol, nutrindo a esperança de que se tornarão os próximos "campões do carnaval".

"Eu vim para ajudar a escola que amo. É a escola do meu bairro, a escola onde aprendi a sambar", explica Luci Gonçalves, de 70 anos, ao mesmo tempo em que cola perucas vermelhas e azuis sobre os capacetes de boxe dourados que serão usados pelos 280 membros da bateria durante o desfile.

Assim como Luci, Paulo Menezes, carnavalesco do desfile da União da Ilha, aposta no tema dos Jogos Olímpicos para dar o título à escola: "O desfile conta como o Rio está se preparando. Os Deuses deixam o Olimpo para conhecer a cidade, se encantam com ela e decidem ficar", revela. "A ideia é mostrar um pouco do Rio e de seus habitantes, que se divertem, praticam esportes e são olímpicos por natureza".

Tudo isso é muito bonito, mas o diretor da União da Ilha, Marcio André Mehry de Souza, não consegue esconder sua raiva.

Souza se mostra frustrado por não ter recebido qualquer patrocínio da prefeitura nem do Comitê Rio-2016, apesar de ter escolhido os Jogos como enredo de seu desfile, uma sugestão do prefeito da cidade, Eduardo Paes.

"Começamos a trabalhar em junho com uma promessa de um financiamento que nunca chegou", reclama, sem citar o prefeito.

"A situação é difícil há 4 ou 5 anos, mas este ano foi ainda pior, porque todo mundo está em crise e o preço do material aumentou", explica o diretor da União da Ilha à AFP. "Gastamos entre 12 e 15 milhões de reais para um desfile e recebemos seis. Com a recessão, isso piorou".

Segundo Souza, a prefeitura dá "somente" 24 milhões de reais por ano às 12 escolas que desfilam no Sambódromo e atraem dezenas de milhares de turistas, enquanto 70 milhões de reais são destinados ao festival de música Rock in Rio. "Vai entender!".

A Petrobras, com sede no Rio, também financia cada uma das 12 escolas com outro milhão de reais.

No ano passado, porém, devido aos enormes escândalos de corrupção que abalaram as estruturas da empresa, "o dinheiro foi pago em várias parcelas, enquanto nossas dívidas se acumulavam", lamenta o mandatário da União da Ilha.

- Greve do carnaval? -

Até as escolas mais ricas, que contam com o apoio de um padrinho, geralmente um bicheiro, tiveram que economizar.

Neguinho da Beija-Flor, um dos mais famosos puxadores do carnaval carioca, explicou ao jornal O Globo que sua escola precisou "negociar os salários" para garantir o andamento do desfile.

Souza afirma que "começa a ter um consenso para parar de desfilar no futuro" caso as autoridades não tomem medidas.

"A prefeitura, os hotéis, o comércio enchem os bolsos de dinheiro. E a gente? Nada! Não podemos mais fazer o carnaval nessas condições", reclama.

Souza defende a instauração de uma "taxa de dez dólares na entrada de cada turista na cidade que seria revertida às escolas de samba".

Para Paulo Menezes, carnavalesco da União da Ilha, "o maior desafio neste ano foi lidar com a crise. E é igual para todas as escolas de samba".

Cerca de 90% do material usado nos desfiles é importado da China. Os custos explodiram em função do preço do dólar, que duplicou em um ano. "Para nós, 100 m de tecido é pouco, precisamos de 600 m, e isso multiplicado por 12 escolas", explica.

Para piorar, falta material no mercado, porque os varejistas não importam mais.

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