"Até quando vai durar o estado de emergência? Até que o Daesh acabe? Dentro de dez anos", questiona uma das manifestantes, usando o acrônimo em árabe do grupo Estado Islâmico.
Para os organizadores das manifestações, entre os quais a Liga de Direitos Humanos e vários sindicatos, o estado de emergência prejudica e compromete as liberdades em nome de uma segurança hipotética.
Na quarta-feira, a mais alta jurisdição administrativa francesa, o Conselho de Estado, recusou-se a suspender o estado de emergência declarado após os atentados de novembro em Paris, conforme solicitado pela Liga dos Direitos Humanos, justificando a manutenção de "ameaça terrorista".
O tribunal considerou em um comunicado que "o perigo iminente justificando o estado de emergência não desapareceu, dada a continuidade da ameaça terrorista e o risco de ataques".
Na audiência de terça-feira, a Liga dos Direitos Humanos solicitou ao Conselho de Estado "suspender a totalidade ou parte" deste regime excepcional e "exigir que o presidente da República reavalie as circunstâncias de fato e de direito" que levaram à sua implementação.
Os ataques jihadistas de 13 de dezembro fizeram 130 mortos em Paris, o que levou o governo socialista a mudar sua política de segurança.
Promulgado na sequência dos ataques, o estado de emergência reforça os poderes da polícia além de permitir operações de busca e apreensão domiciliar de dia ou de noite sem a necessidade de um aval judicial.
A Liga dos Direitos Humanos recebeu o apoio de um sindicato da polícia, um sindicato de magistrados e 450 acadêmicos, incluindo muitos professores de direito.
Em sua decisão, o juiz disse que o estado de emergência foi prorrogado por lei e enfatizou que não cabia ao Conselho de Estado suspender a sua aplicação.
Esta questão é particularmente sensível quando o governo quer estender pela segunda vez e durante três meses adicionais este regime, que deveria terminar em 26 de fevereiro.