Infelizmente tenho que passar por aqui todas as manhãs e todas as noites", testemunha Vanessa Salembier, uma funcionária da Comissão Europeia, cujo escritório fica perto.
"Eu vim para refletir, depositei uma flor e escrevi palavras de apoio às famílias, às pessoas que morreram, às pessoas que sobreviveram e dizer que, de qualquer maneira, Bruxelas sempre será melhor", disse à AFP outra transeunte, Solène Leroy, que estuda obstetrícia na capital belga.
A estação de Maelbeek, localizada no bairro europeu, é a última das 69 a reabrir e funcionará das 5h30 às 0h30, como todas as linhas, que retornam a seu horário habitual nesta segunda-feira. Até então, funcionavam das 06h00 às 22h00.
"Foram tomadas medidas adequadas para estabelecer um nível adequado de segurança em toda a rede metroviária", explicou o chefe do governo regional de Bruxelas, Rudi Vervoort.
Militares e policiais garantem a segurança das estações, cujos acessos permanecerão "por agora" limitados a duas entradas e saídas, salientou Stib, a empresa que administra a rede.
"Isso ainda é um pouco estranho, mas a vida continua", declarou Patrick, de 52 anos, um dos primeiros a pegar o metrô em Maelbeek no início da manhã.
"Eu acredito que este é um bom sinal, porque realmente mostra que os terroristas fizeram o que fizeram, mas estamos prontos. A cidade tem respondido bem, mostrado que toda a gente está aqui para a paz", observou Tomaso Comazzi, um estagiário na Assembleia das regiões da Europa.
'É o amor que vence'
Em 22 de março, às 09h11 (04h11 de Brasília), um pouco mais de uma hora após o duplo ataque suicida no aeroporto de Bruxelas-Zaventem, Khalid El-Bakraoui desencadeou por sua vez uma explosão em uma composição do metrô, matando dezesseis pessoas.
Ao todo, os ataques de 22 de março fizeram 32 mortos e mais de 300 feridos.
Depois de meses de reformas, a estação voltou a mostrar sua aparência de costume, com seus afrescos - rostos minimalistas pretos em azulejos brancos - e paineis.
A única diferença visível é a presença de soldados fortemente armados e um grande quadro branco onde o público é convidado a expressar os seus sentimentos.
"Vamos cuidar da vida em torno de nós", dizia uma mensagem assinada por "Patricia", enquanto que cerca de 200 vítimas e parentes de vítimas foram convidados a visitar a estação no sábado.
"Eu li tudo, olhei para tudo e o que me impressionou mais foi uma mensagem que dizia 'É o amor que vence', porque é nisso que eu também acredito", declarou Tomaso Comazzi.
Este fechamento, "foi por uma boa razão", disse Liliana, uma engenheira em medicina nuclear na plataforma do metrô. "Eu compreendo a necessidade de analisar, corrigir todos os danos, entendo tudo isso", diz ela.
"Agora me sinto tranquila, porque sei que tomaram todas as medidas necessárias e vejo que é seguro", afirmou por sua vez um outro passageiro, Pietro.
"Eu penso em tudo o que aconteceu, (...) eu rezo por todas as vítimas e espero que isso não volte a acontecer", acrescentou o tradutor aposentado que trabalhou durante muito tempo para a Comissão Europeia.