Mas algo aconteceu há um ano, na cerimônia de entrega da Bola de Ouro-2014. Ao receber o prêmio de melhor jogador do mundo, o português Cristiano Ronaldo lançou um desafio a seu grande rival: "Quero alcançar tuas quatro Bolas de Ouro".
Embriagado pela emoção da conquista de sua terceira Bola de Ouro e do recente Mundial de Clubes, o atacante do Real Madrid, grande rival de Messi na última década, não imaginava que estava provocando a fera. O argentino aceitou o desafio e, em 2015, renasceu das cinzas para realizar uma de suas melhores temporadas da carreira profissional.
Na mesma época, há um ano, Messi atravessava um período de dúvidas: após ficar no banco de reservas em Anoeta, na derrota do Barcelona para a Real Sociedad, o camisa 10 se ausentou sem explicação do tradicional treino a portas abertas natalino, dando início a todo tipo de especulação na imprensa sobre um possível desentendimento com Luis Enrique, técnico da equipe que vinha sendo muito criticado pelos maus resultados.
Contudo, aquelas palavras de Cristiano durante a cerimônia da Bola de Ouro mudaram o destino, e Messi se dedicou ao que melhor sabe fazer: jogar futebol e marcar gols.
O Barcelona voltou a ganhar e, ao fim da temporada, chegaram os títulos que pareciam impossíveis meses antes: a Copa do Rei, a Liga Espanhola e, para coroar, a Liga dos Campeões.
Além dos títulos com o clube e o vice-campeonato da Copa América com a Argentina, Messi contribuiu ao sucesso do Barcelona com 43 gols em 38 jogos do Campeonato, além de 18 assistências, e terminou como artilheiro da Champions, empatado com Neymar e Cristiano Ronaldo (10 gols).
- Obras de arte em forma de gols -
Mais além dos números, Messi criou jogadas para a história, como quando marcou um golaço encobrindo Manuel Neuer depois de deixar no chão o zagueiro Jerome Boateng, contra o Bayern de Munique, pelas semifinais da Liga dos Campeões.
Marcante também o gol de Messi na final da Copa do Rei (vitória por 3 a 1 sobre o Athletic Bilbao), recebendo pelo lado direito, driblando quatro adversários antes de balançar as redes. Esse gol chegou a ser finalista do prêmio Puskas, mas acabou superado pelo desconhecido brasileiro Wendell Lira.
Messi também quebrou o recorde de gols marcados no Campeonato Espanhol e de maior artilheiro da história do Barcelona, números aos quais continua somando a cada jogo.
Aos 28 anos, o argentino parece não ter limites e, da maneira que começou a atual temporada, com as conquistas dos títulos da Supercopa europeia e o Mundial de Clubes, contribuindo com gols decisivos, apesar de ter ficado longe dos gramados por dois meses por grave lesão no joelho (outubro e novembro), poucos duvidam que Messi não volte a figurar entre os favoritos à Bola de Ouro nos próximos anos.
- Bom ano pessoal -
O ano de 2015 também foi bom no plano pessoal, com o nascimento do segundo filho, Mateo. A paternidade, que começou em 2012 com Thiago, parece ter dado mais serenidade a Messi, algo perceptível dentro de campo, onde já não parece aquele jogador ansioso pelo gol, feliz em distribuir o jogo para os companheiros.
A parceria que forma com o brasileiro Neymar e com o uruguaio Luis Suárez já é considerada por muito o melhor ataque da história.
Já a história de amor com Barcelona, a cidade em que vive desde os 13 anos de idade, depois de deixar a Argentina porque nenhum clube se dispôs a pagar um tratamento de crescimento, parece mais viva que nunca.