Em resposta à ampliação da emergência por um ano, anunciada ontem, o governo venezuelano também decidiu, mais uma vez, "submeter as relações com os Estados Unidos à revisão integral".
Avaliação similar já havia sido ordenada por Maduro em 19 de novembro passado, depois dos vazamentos feitos pelo ex-analista de Inteligência da Agência de Segurança Nacional americana (NSA, na sigla em inglês) sobre a suposta espionagem da estatal petroleira venezuelana PDVSA. Na época, porém, nenhuma medida concreta foi anunciada.
Caracas e Washington não têm embaixadores em suas respectivas capitais desde 2010.
Ontem, o presidente Barack Obama estendeu por um ano a declaração de "emergência nacional" sobre a Venezuela, alegando que a erosão dos direitos humanos e a perseguição de dirigentes opositores persistem no país.
Em carta aos líderes da Câmara de Representantes e do Senado dos Estados Unidos, Obama ressaltou que é "necessário continuar a emergência nacional declarada na ordem executiva 13.692 a respeito da situação na Venezuela".
Equivalente a um decreto presidencial, o texto foi firmado por Obama em 8 de março de 2015.
De acordo com a nota divulgada pela Chancelaria nesta sexta, o governo venezuelano "repudia energicamente a renovação da ordem executiva ditada pelo presidente dos Estados Unidos de América, Barack Hussein Obama, que de forma inexplicável insiste em declarar a Venezuela como uma 'ameaça incomum e extraordinária à Segurança Nacional e à Política Externa dos Estados Unidos'".
Caracas também manifestou que a medida ignora os "apelos dos povos do mundo e da comunidade internacional (…) que exigiram expressamente a derrogação e a não renovação dessa insólita ordem".
A decisão de Obama coincide com um clima de agravada crise político-institucional na Venezuela, depois que uma sentença do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) reduziu os poderes do Parlamento. Desde janeiro, a Casa é controlada pela oposição.