"Não vai ter golpe! Não vai ter golpe", gritavam, por sua vez, as pessoas presentes na cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília.
A entrada de Lula no governo é apresentada pelos analistas como uma última tentativa de Dilma de evitar o julgamento de impeachment que a oposição impulsiona contra ela, por suposta manipulação das contas públicas.
"Conto com a experiência do ex-presidente Lula, com a identidade que ele tem com esse país, com o povo desse país. Conto com sua incomparável capacidade (...) de entender esse povo (...) e também de ser entendido e por ele amado”, disse Dilma, provocando fortes aplausos.
"Você tem a grandeza dos estadistas e a humildade dos verdadeiros líderes", acrescentou a presidente, que ocupou cargos ministeriais, incluindo a pasta da Casa Civil, durante os dois mandatos de Lula (2003-2010).
O impacto esperado da entrada de Lula no governo foi ofuscado pela divulgação na véspera de um telefonema no qual Dilma anunciava a Lula que se preparava para enviar a ele o termo de posse para que pudesse "utilizá-lo em caso de necessidade".
Esta frase alimentou a suspeita de que a nomeação de Lula era uma manobra para dotar de foro privilegiado o ex-presidente, permitindo que ele escapasse da justiça comum e, especialmente, de um eventual pedido de detenção.
Milhares de pessoas protestaram durante a noite em várias cidades para exigir a renúncia de Dilma.
Mas a presidente, na ofensiva, reiterou que sua conversa com Lula não tinha nenhum propósito equívoco e denunciou o vazamento da conversa telefônica pelo juiz Sérgio Moro, que investiga o escândalo da Petrobras.
"Não há justiça para os cidadãos quando as garantias constitucionais da própria Presidência da República são violadas", proclamou Dilma, provocando entusiasmo na sala.
Um breve tumulto foi registrado durante a cerimônia quando um deputado se levantou gritando "Vergonha!", em meio às vaias dos presentes.
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