Em sua longa turnê de adeus, e graças também à catastrófica temporada dos Lakers, nas últimas colocações da NBA, o "Black Mamba" foi venerado e aplaudido nas arenas em que costumava ser vaiado, recebendo homenagens das equipes rivais e elogios dos adversários.
"Ele é nosso Michael Jordan, alguém que mudou nosso esporte do ponto de vista físico e mental. Eu o estudei, queria ser como ele", resumiu Kevin Durant, estrela do Oklahoma City Thunder.
Mesmo no auge, com cinco título da NBA no bolso (2000, 2001, 2002, 2009 e 2010), um troféu de MVP (2007-2008), duas medalhas de ouro olímpicas (2008, 2012) e um monte de recordes, Kobe nunca foi unanimidade: "Alguns gostaram de mim, outros não", resumiu recentemente o jogador, que, no passado, era obcecado pela vitória e os títulos ("As pessoas não entendem que minha obsessão é a vitória").
- Boné de 38.000 dólares -
Nesta quarta-feira, no Staples Center, onde uma gama de produtos exclusivos, como bonés de couro de cobra, serão vendidos por 38.000 dólares, Kobe estará rodeado por 19.000 espectadores que o idolatram e que pagaram em média 971 dólares para assistir à sua histórica última partida.
"É um dos maiores jogadores de sua geração, um dos melhores da história da NBA", explicou Eric Pincus, jornalista do Los Angeles Times, encarregado de cobrir a atualidade dos Lakers.
"Kobe é um ícone. No mundo inteiro ele é uma estrela incrível, mesmo se não é o jogador mais simpático, mesmo se, como ele mesmo diz, não se vence sendo simpático. Agora que ele chegou ao fim de sua trajetória, todo mundo o repeita", continuou.
Todos esperam que Bryant tenha guardado o melhor para o fim, para o encerramento de uma temporada desanimadora, na qual teve alguns brilhos isolados, como contra o Cleveland Cavaliers de LeBron James em 10 de março (26 pontos) e, mais recentemente, contra o Houston Rockets (35 pontos).
- 'Uma última vitória' -
O craque responsável pelo crescimento da NBA no mundo, principalmente na China, que ganhou 460 milhões de dólares em contratos publicitários e que um dia anotou 81 pontos em um jogo, afirma não ter nenhum arrependimento.
"Não é difícil de aceitar, eu aceitei a realidade e estou pronto para novos desafios", afirmou.
"Terminar minha carreira com boa saúde, após três lesões graves, é algo incrível para mim", explicou o emblemático camisa 24 dos Lakers, que não disputa uma temporada inteira desde 2013, após uma ruptura no tendão de Aquiles, uma lesão no joelho esquerdo em 2014 e outra no ombro direito em 2015.
"Vou pegar o próximo ano para fazer tudo que nunca pude fazer, ficar com minha família, esquiar", continuou o craque dos Lakers.
Enquanto aguarda até o dia em que sua estátua será erguida em frente ao Staples Center, ficando para sempre ao lado de lendas como Jerry West, Kareem Abdul-Jabbar e Magic Johnson, Bryant espera receber nesta quarta-feira o melhor presente de despedida: "Tudo que eu quero é uma última vitória".