É um assunto de grave preocupação", disse Kerry a jornalistas no Departamento de Estado, depois que Taiwan assegurou nesta quarta-feira que Pequim disparou mísseis terra-ar sobre uma ilha no Mar da China Meridional.
Kerry lembrou que o presidente chinês, Xi Jinping, tinha "declarado que a China não militarizaria o Mar da China Meridional", durante seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, em Washington, no fim de 2015.
"Tivemos estas discussões com os chineses e confio em que nos próximos dias voltaremos a ter conversações sérias sobre isto", acrescentou o chefe da diplomacia americana.
Kerry expressou a "esperança de que a China compreenda que é importante resolver os assuntos (de soberania territorial) no Mar da China Meridional, não através da ação unilateral, não à força, não pela militarização, mas pela diplomacia e trabalhando com outros países" asiáticos.
O ministro taiwanês da Defesa confirmou a existência de mísseis terra-ar ao reagir a uma reportagem da emissora americana Fox News, que dava conta do dispositivo na ilha de Woody (Yongxing em chinês).
Já Pequim reivindicou o direito a construir sistemas de "autodefesa" nesta região estratégica para o comércio mundial e rica em recursos petroleiros.
Na terça-feira, ao final de uma cúpula informal entre os Estados Unidos e os países da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), Obama exortou tomar "medidas tangíveis" para diminuir a tensão no Mar da China Meridional e pediu o cessar de "qualquer nova construção e por fim à militarização das zonas em disputa".
A China controla desde os anos setenta o conjunto do arquipélago das ilhas Paracelso ("Xisha"), também reivindicadas por Vietnã, Taiwan, Filipinas, Malásia e Brunei.
Oficialmente, Washington permanece neutro em assuntos de soberania, mas desde 2015 denuncia esta "militarização" da região por Pequim e apoia os países do Sudeste Asiático.