As revelações já provocaram a queda do primeiro-ministro islandês citado nos documentos, e atingem líderes da Argentina, Reino Unido, Rússia, Ucrânia e China, assim como esportistas e milionários.
O escândalo também teve repercussões para o governo do Panamá, criticado por sua pouca transparência.
O presidente Juan Carlos Varela pediu na terça-feira à França que reconsidere sua decisão de incluir de novo o país na lista dos paraísos fiscais e amea;cou com medidas diplomáticas caso contrário.
Em 8 de abril, a França anunciou que a partir de 2017 incluirá novamente o Panamá na lista dos paraísos fiscais, de onde havia retirado em 2012, e que pedirá também à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) que faça a mesma coisa.
O prédio principal da Mossack Fonseca, especializada na criação de sociedades 'offshore', ficou cercado nesta terça-feira durante várias horas por jornalistas e policiais.
"A diligência de revista, instrução ocular e registro transcorre na devida forma e sem qualquer tipo de percalço ou impedimento", informou a procuradoria panamenha, anunciando revistas similares em filiais do grupo.
O sistema financeiro panamenho está na mira depois que os documentos revelaram a existência de 214.000 companhias 'offshore' implicadas em operações financeiras em mais de 200 países e territórios do planeta.
As autoridades tributárias do Peru também revistaram na segunda-feira a filial da Mossack Fonseca em busca de informação e, em El Salvador, a procuradoria apreendeu na semana passada computadores e documentos do escritório de advogados local.
- Informação fiscal -
Representantes das administrações tributárias de todo o mundo se reúnem nesta quarta-feira na seda da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), em Paris, em busca de uma ação conjunta ante as revelações dos chamados "Panama Papers".
"O objetivo é refletir sobre as possibilidades de cooperação e de intercâmbio de informações", segundo OCDE.
Na reunião, também se pretende "identificar os riscos de fraude fiscal e decidir uma ação conjunta, à luz das revelações dos 'Panama Papers'", afirma o comunicado.
Convocada na sexta-feira, esta reunião da JITSIC (União Internacional de Informação e Colaboração sobre Paraísos Fiscais) será realizada a portas fechadas, segundo um porta-voz.
A JITSIC, que agrupa chefes de administrações fiscais de 46 países, tem como missão reagir ante os riscos de fraude fiscal em escala internacional, mediante uma ativa colaboração e um intercâmbio rápido e eficiente de informações entre administrações.
"É basicamente uma tentativa de obter uma visão de conjunto sobre os mecanismos de evasão fiscal", explica o chefe dos serviços fiscais australianos, Chris Jordan, cujo país preside a JITSIC.
Na véspera, a Comissão Europeia apresentou uma série de medidas para limitar o recurso das multinacionais aos paraísos fiscais.
Esse projeto, apresentado pelo comissário europeu de Assuntos Financeiros, Jonathan Hill, em Estrasburgo (leste da França) à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, quer que as grandes companhias que operam na Europa informem sobre seus lucros a cada um dos 28 membros do bloco.
O projeto de informar sobre as operações país por país responde à reclamação das organizações não governamentais que acusam as multinacionais de declarar seus lucros nas jurisdições com tributações favoráveis.