Imagens de emissoras de televisão mostraram a entrada dos funcionários da Procuradoria na casa da ex-mulher de Morales, na zona sul de La Paz, uma área nobre da cidade.
O jornal El Deber de Santa Cruz (leste do país) revelou, nesta quinta-feira, trechos das acusações da Procuradoria que pesam contra Gabriela. Ela é acusada de crimes de legitimação de ganhos ilícitos, enriquecimento ilícito e tráfico de influência e está detida desde a semana passada.
O Ministério Público estabeleceu que a ex-gerente comercial da empresa chinesa usou escritórios da Unidade de Apoio à Gestão Social "com fins ilícitos de caráter pessoal" para obter "créditos econômicos e vantagens econômicas". Ligados à presidência, esses espaços são normalmente usados pelas primeiras-damas.
Funcionários desse órgão estão sendo investigados, e sua diretora foi detida, por sua relação com a ex-mulher de Evo Morales.
O MP acrescenta que Gabriela "se fez passar por funcionária pública para manter relação com empresários e conseguir contratos com a chinesa CAMC".
O processo legal se encontra na fase inicial e não há datas para sua conclusão.
De acordo com o jornal, a Procuradoria afirma, especificamente, que esses gabinetes foram usados para negociar contratos, "como a planta industrial de açúcar em San Buenaventura; a planta industrial de sais de potássio Uyuni–Potosí; o projeto múltiplo Misicuni- Cochabamba; a construção do trecho ferroviário Bulo Bulo-Montero; e para os equipamentos de perfuração para a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos".
Estimativas oficiais apontam que os contratos do governo Morales com a CAMC chegam a pelo menos US$ 560 milhões. Em dezembro passado, em função de atrasos e de descumprimento de acordos bilaterais, o contrato para a ferrovia foi cancelado.