A nova onda de violência iniciada em outubro teve mais um capítulo nesta segunda-feira, com um palestino, identificado pela polícia como Ahmed Toba, de 17 anos, sendo morto pelo exército israelense após tentar agredir com uma faca soldados que se preparavam para revistá-lo na colônia de Salit, na Cisjordânia.
No dia anterior, um palestino que havia trabalhado como guarda do gabinete do procurador-geral em Ramallah, identificado como Amjad Soukkari, abriu fogo contra um posto de controle nas proximidades da cidade e atingiu três solados, antes de ser morto.
A maioria dos ataques realizados nos últimos meses contra civis, soldados e policiais israelenses foram cometidos por jovens palestinos, agindo de maneira isolada, e armados com facas.
O posto de controle onde ocorreu o ataque de domingo, utilizado com frequência por diplomatas, jornalistas e trabalhadores humanitários, permaneceu fechado nesta segunda-feira, assim como outras entradas.
"Adotamos medidas de segurança na região e apenas os residentes de Ramallah podem entrar na cidade", afirmou uma porta-voz militar.
A medida também é aplicada aos estrangeiros.
E apesar do anúncio do exército israelense mencionar apenas as entradas em Ramallah, a medida também parece afetar as saídas, provocando enorme frustração.
Os veículos tinham a possibilidade de seguir viagem após uma revista.
Muitos palestinos, trabalhadores humanitários e diplomatas entram diariamente em Ramallah, onde trabalham.
E as limitações de locomoção dos palestinos "tiveram um impacto sobre a nossa capacidade de trabalhar, revelou um diplomata ocidental, acrescentando que "várias reuniões precisaram ser canceladas porque nossos interlocutores palestinos não conseguiram vir".
Mahdi Zaïd precisou descer do ônibus que o levaria de Ramallah a Nablus. Um primeiro soldado israelense "começou a analisar os meus documentos e me devolveu dizendo que estava tudo certo, até que um segundo chegou, pegou os meus documentos, afastou-se por uns dez minutos e retornou para me dizer que eu não poderia passar", relatou o homem de 28 anos.
"Eu deveria passar por uma entrevista de emprego. Fazia um ano que esperava ser chamado", declarou.
A suspensão da medida dependerá das informações do exército a respeito da segurança, de acordo com a porta-voz.
Estas restrições refletem os enormes obstáculos encontrados diariamente pelos palestinos na Cisjordânia.
Desde o início do atual ciclo de violência, em 1º de outubro, na Cisjordânia, Jerusalém e Israel, morreram 161 palestinos, 25 israelenses, um americano e um cidadão da Eritreia.
Muitos palestinos mortos eram autores ou supostos autores de ataques com armas brancas contra civis ou militares israelenses.