Dafna Meir, enfermeira de 38 anos, morreu esfaqueada na presença de alguns de seus seis filhos em casa, na colônia de Otniel, no domingo.
A comoção diante deste assassinato foi ampliada após o registro de outra agressão com faca na segunda-feira contra uma mulher grávida em uma colônia judaica.
O autor desta agressão, um adolescente de 17 anos, foi ferido e detido.
As forças israelenses levaram menos de 36 horas para deter o suposto autor do ataque contra Meier.
Um vídeo divulgado pelo exército israelense mostrou a operação noturna de detenção do adolescente palestino, preso enquanto dormia.
Os meios de comunicação israelenses e palestinos identificaram o suspeito como um palestino de 15 ou 16 anos oriundo de Beit Amra, a alguns quilômetros de Otniel.
"Não tem relação com isso", disse Khader, tio do suspeito, em declarações à AFP. "É um menino, não pode ter feito isso", insistiu Khader.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não esperou o fim da investigação para anunciar, durante uma visita a Otniel, que a casa do autor do assassinato será destruída.
Espiral de violência
Desde 1º de outubro, Cisjordânia, Jerusalém e Israel estão afundados em um ciclo de violência no qual já morreram 155 palestinos e 24 israelenses, além de um americano e um etíope.
A maioria dos palestinos morreram quando tentavam atacar com faca militares e civis israelenses.
Outros caíram baleados durante confrontos com as forças de segurança e alguns foram vítimas de ataques de colonos.
A maioria dos palestinos mortos, autores ou supostos autores de ataques com faca, são em sua maioria jovens e inclusive muito jovens.
Os ataques de domingo e segunda-feira se incluem nesta rotina diária, mas até agora a violência não havia ultrapassado as portas das colônias israelenses, estas cidades ou localidades implantadas nos territórios palestinos ocupados por Israel desde 1967.
A morte de Dafna Meir aumenta os temores de que, dentre os milhares de palestinos que entram todos os dias nas colônias, alguns sigam o exemplo do agressor.
O exército decidiu fechar o acesso das colônias aos trabalhadores palestinos, ao menos nesta terça-feira, com exceção das zonas de atividade econômica.
Um total de 400.000 colonos israelenses estão nos territórios ocupados, onde vivem 2,5 milhões de palestinos.
Além disso, 26.000 palestinos trabalham nas colônias.
O exército não quer aumentar a tensão punindo coletivamente os 120.000 palestinos que trabalham seja nas colônias ou em Israel.
"O toque de recolher ou a proibição de circulação seriam graves erros, contrários aos interesses israelenses", afirmou na segunda-feira o chefe de Estado-Maior israelense, Gadi Eisenkot.
Mas o impacto da morte de Dafna Meir não protege Israel das críticas da União Europeia e dos Estados Unidos sobre a colonização, considerada um grande obstáculo à criação de um Estado palestino e a um processo de paz.
Críticas dos EUA
Na segunda-feira, Dan Shapiro, embaixador dos Estados Unidos, principal aliado de Israel, fez duras críticas à colonização, dizendo que tinha a impressão de que em Israel havia duas justiças, "uma para os israelenses e outra para os palestinos".
A União Europeia, por sua vez, reafirmou que todos os acordos com Israel estipulam "explicitamente e sem equívocos que não se aplicam aos territórios ocupados".
O governo israelense reagiu indignado dizendo que a atual situação se deve ao ódio gerado pela Autoridade Palestina.
"É hora de a comunidade internacional acabar com a hipocrisia", disse Netanyahu.