Em troca do fim dessas sanções, que pesam sobre a economia do Irã, Teerã concordou em limitar seu programa nuclear. O país esperava obter rapidamente benefícios econômicos tangíveis deste acordo.
Mas, apesar de muitas delegações políticas e econômicas de diferentes países europeus terem viajado ao Irã nos últimos meses, o guia supremo Ali Khamenei considerou recentemente que as visitas ainda não deram resultados "tangíveis".
"Mais do que obstáculos, são desafios" que prejudicam a implementação do acordo nuclear, reconheceu a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, numa coletiva de imprensa conjunta com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif.
Mogherini, que desempenhou um papel fundamental nas negociações nucleares entre as grandes potências e o Irã, está em Teerã para uma vista de um dia, acompanhada por sete comissários.
Paciência
Ela pediu paciência aos iranianos para que o acordo tenha efeito "em suas vidas diárias".
Segundo ela, "três meses de desafios" são pouco comparado com "doze anos de negociações" para a conclusão do acordo em julho de 2015 em Viena entre o Irã, os Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha.
Um dos "desafios" a serem superados é a relutância dos bancos europeus em se estabelecer no Irã, por medo de represálias dos Estados Unidos, que continuam a limitar as operações em dólar com aquele país.
"Não podemos forçar ninguém, mas fazemos tudo para tranquilizar os bancos" europeus para promover seu "compromisso com o Irã", declarou a chefe da diplomacia da UE.
Zarif afirmou, por sua vez, que o Irã e a UE vão "cooperar para remover os obstáculos para implementar o acordo nuclear".
"Os iranianos devem sentir o mais rapidamente possível os resultados do acordo, caso contrário, vão questionar a sua necessidade", disse ele.
"Nós advertimos os Estados Unidos e vamos pressionar para que abram o caminho para a cooperação entre os bancos não-americanos e a República Islâmica do Irã", afirmou Zarif.
Segundo ele, "é necessário que os Estados Unidos adotem seus compromissos na prática e não apenas no papel."
Questionado sobre os recentes disparos de mísseis balísticos pelo Irã que preocupam os países europeus e Washington, Mogherini disse que eles não eram uma "violação" do acordo nuclear, mas desejou que o Irã se abstenha de ações que possam desencadear uma "escalada" na região.
Mohammad Javad Zarif reiterou que os lançamentos de mísseis eram "dissuasivos" e não "ofensivos".
A questão dos direitos humanos no Irã não foi evitada. Mogherini recordou que a UE continua "firme sobre este princípio", promovendo ao mesmo tempo o "diálogo" com os países acusados de não respeitá-los. Uma abordagem aceitável para Zarif, que sublinhou que "as discussões são de mão dupla" sobre este tema.
Seja qual for o assunto, há vontade de ambas as partes para superar as dificuldades de uma forma construtiva, segundo Mogherini.
Prova disso, ela indicou que a UE apoiaria a candidatura do Irã à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Além dos investimentos e do comércio, as guerras na Síria e Iêmen também estavam na agenda.
"É de interesse comum acabar com a guerra na Síria", estimou Mogherini.