Jornalista de 53 anos e presidente da associação de municípios independentistas da região, Puigdemont "tem muito claro o projeto de país, tem muito claro que a Catalunha é uma nação com direito de decidir seu futuro". Mas destacou que o parlamento escolherá no domingo seu sucessor.
A renúncia de Mas é fruto de um acordo de última hora entre sua coalizão Juntos por el Sí, com independentistas de esquerda e direita, e a esquerda radical separatista Candidatura de Unidad Popular (CUP) para formar no domingo um governo que avança para a secessão dessa rica região de 7,5 milhões de habitantes.
Juntas obtiveram uma maioria absoluta no parlamento regional (72 sobre 135 cadeiras) nas eleições de 27 de setembro. Mas para formar governo, o Juntos por el Sí (62 deputados) necessitava do apoio da CUP (10 cadeiras), que rejeitava o liberal Artur Mas.
Finalmente, a situação foi desbloqueada de última hora já que, se no domingo à meia-noite não houver um novo governo, a lei regional obriga convocar novas eleições na região.
"Disputar outras eleições a curto prazo não era o melhor dos cenários, era o pior", disse Mas. "Nestes momentos decisivos, foram encontrados caminhos para desbloquear coisas que pareciam não poderem ser desbloqueadas", afirmou.
"O projeto está vivo e o processo (independentista) se mantém salvo", afirmou, enquanto dezenas de militantes se reuniam em frente do governo regional com bandeiras independentistas e cartazes com frase "obrigado, Mas".
A reação de Madri não tardou: "Não há maioria parlamentar que possa amparar ou justificar atos ilegais ou, ainda, a pretensão de romper a soberanía nacional expressa na Constituição", afirmou o governo espanhol do conservador Mariano Rajoy em comunicado.
"O Governo da Espanha garante que a lei será respeitada", acrescentou.
No entanto, a posição de Rajoy é mais frágil depois das eleições legislativas de 20 de dezembro. Seu conservador Partido Popular ficou longe da maioria absoluta e precisa de um fechar uma complicada aliança com a oposição socialista, que até agora tem se negado a isso.
Além de sua renúncia, o acordo contempla um pacto com a CUP que cederá dois de seus parlamentares à coalizão Juntos por el Sí, forçará a demissão de seus deputados mais contrários ao acordo e se comprometerá a não votar contra nas decisões da coalizão separatista.
Estas decisões "nos dão horizonte de estabilidade, não haverá eleições na Catalunha neste ano, poderemos começar a trabalhar, o projeto independentista está vivo e o processo fica salvo", assegurou Mas.