"Não há alegação ou suspeita de interferência em nenhuma das milhares de mostras conservadas pela IAAF", explicou a entidade em resposta enviada à Wada e a qual a AFP teve acesso.
"A comissão presidida por Richard Pound apresentará suas conclusões em relação aos resultados dos exames de sangue oriundos de uma base de dados da IAAF que resultou de um vazamento e de manobras que poderiam ser contrárias ao código de natureza criminal", escreveu na semana passada a Wada, ao anunciar a realização de uma coletiva de imprensa.
A primeira parte do relatório, publicado em novembro de 2015, abalou o mundo do atletismo e do esporte, ao revelar um esquema de doping organizado na Rússia e acusações de corrupção visando as mais altas esferas de poder da IAAF.
A segunda parte do relatório revelará as conclusões tiradas pela comissão, seguindo os passos de um documentário da emissora alemão ARD -em colaboração com o jornal britânico Sunday Times-, que alimentou a polêmica na semana seguinte ao Mundial de Atletismo de Pequim, em agosto do ano passado.
O Quênia esteve ao centro dos questionamentos e a investigação apontava para pelo menos um atleta entre os seis medalhistas nos Jogos Olímpicos e Mundiais tendo recorrido ao doping entre 2001 e 2012, baseada nos resultados de 12.000 exames de sangue realizados em 5000 atletas durante este período.
"Quando publicarmos estas informações, haverá um sentimento de incredibilidade. Acho que as pessoas irão se perguntar como isso foi possível. É uma traição completa ao que as pessoas que estão encarregadas do esporte deveriam fazer", alertou Richard Pound, presidente da comissão.
- Apagar os recordes -
Inconformada com os seguidos escândalos no esporte, a Federação Britânica de Atletismo (UKA) sugeriu que os recordes mundiais, que já não teriam credibilidade, sejam apagados, em um "Manifesto por um atletismo limpo", publicado nesta segunda-feira em seu site.
"Uma maior transparência, punições mais duras, suspensões mais longas e até começar do zero em relação aos recordes mundiais para lançar uma nova era. Temos que estar dispostos a colocar tudo isso em andamento para restaurar a credibilidade deste esporte", afirmou Ed Warner, presidente da UKA.
No manifesto, a entidade britânica defende a suspensão à vida dos atletas flagrados em exames antidoping para que não possam mais representar a Grã-Bretanha em competições.
"A integridade do atletismo foi colocada à prova como nunca em 2015. A confiança neste esporte está no nível mais baixo há décadas. A UKA acredita que chegou o momento para reformas radicais se quisermos recuperar a confiança das pessoas", concluiu o dirigente.