Mas o senador de 74 anos mantém viva sua campanha depois de conquistar no sábado os caucus (assembleias eleitorais) democratas de Kansas e Nebraska, no centro do país.
Durante o dia, os democratas estão convocados a votar no caucus do Maine, enquanto os republicanos farão o mesmo em Porto Rico.
Hillary e Sanders entrarão no palco do Whiting Auditorium de Flint, em Michigan (norte), uma escolha nada casual após o escândalo político desencadeado pela contaminação da água potável desta pequena cidade - já exposta a desigualdades econômicas e raciais - depois que as autoridades locais ignoraram, e depois ocultaram, a situação.
Transmitido pela rede CNN e CNN em espanhol, o debate começará às 20h00 locais (22h00 de Brasília).
Espera-se que a própria cidade de Flint seja parte da discussão e uma oportunidade dos aspirantes democratas de ressaltar a grave crise ambiental como uma arma contra o Partido Republicano, ao qual o governador de Michigan, Rick Snyder, pertence.
Em um discurso no sábado em Detroit, Hillary pareceu deixar de lado sua disputa interna com Sanders para assumir o papel de eventual candidata democrata e herdeira do governo de Barack Obama.
"Não podemos permitir que tomem a Casa Branca e mantenham (a maioria) no Congresso. Vão destroçar todo o progresso que conquistamos com o presidente Obama", disse em referência aos republicanos.
"Se for suficientemente afortunada de ser a indicada do partido e eleita presidente, vou trabalhar duro", acrescentou.
Sanders reverteu os maus augúrios iniciais e continua somando apoios, tomando parte do apoio que a ex-primeira-dama recebe dos jovens eleitores democratas, que agora comparecem em massa aos seus comícios e votam pelo senador, atraídos por sua revolução política.
Mas sua campanha perdeu força após a esmagadora vitória de Hillary na "Super Terça", em 1º de março, quando a ex-secretária de Estado venceu em sete dos 11 estados em disputa e ampliou uma vantagem que a cada dia se torna mais inalcançável.
Depois de suas vitórias do sábado, o senador de Vermont não deu sinais de abandonar a batalha e rapidamente tentou injetar novas energia as suas aspirações.
"Temos impulso, temos um caminho em direção à vitória. Nossa campanha está apenas começando", escreveu em um comunicado.
Republicanos divididos
A disputa democrata contrasta com o grupo republicano, afundado em uma crise de identidade sem precedentes ante a ascensão do milionário Donald Trump.
O magnata imobiliário de 69 anos, que promete construir um muro entre México e Estados Unidos para frear a imigração clandestina, ganhou as duas primárias mais importantes de sábado pelo número de delegados: Louisiana (sul) e Kentucky (sudeste).
Por sua vez, Ted Cruz, o ultraconservador senador do Texas, venceu nos caucus republicanos de Maine (nordeste) e Kansas (centro), tentando se posicionar com o rival mais claro de Trump.
A liderança republicana empreende uma cruzada para frear Trump, temerosa de que uma candidatura do magnata entregue as eleições de novembro de bandeja para Hillary, ou pior, abale para sempre os fundamentos do centenário partido de Abraham Lincoln.
Os eleitores, no entanto, ignoraram a mensagem do establishment republicano: o milionário soma vitórias em 12 dos 18 estados que já realizaram primárias.
O senador de origem cubana Marco Rubio, a aposta mais lógica para a dirigência do partido, por sua vez, acumulou apenas uma vitória.
Na mira estão agora as grandes batalhas de 15 de março: cinco estados decisivos irão às urnas, entre eles o reduto de Rubio, Flórida, sob um esquema no qual o ganhador fica com todos os delegados, e não de maneira proporcional, como ocorria até agora.
Os americanos votarão em 8 de novembro pelo substituto de Barack Obama na Casa Branca.