Membro das forças de segurança do Afeganistão, em Jalalabad, no dia 13 de janeiro de 2016 Membro das forças de segurança do Afeganistão, em Jalalabad, no dia 13 de janeiro de 2016

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou nesta quarta-feira seu primeiro ataque contra o Estado paquistanês, uma ofensiva mortífera contra um consulado deste país no leste do Afeganistão, onde os jihadistas estão instalados há alguns meses.

Historicamente, o Paquistão é o principal ponto de apoio dos talibãs afegãos, inimigos jurados do EI, em sua insurreição contra o governo de Cabul e as tropas estrangeiras da Otan.

O ataque foi registrado dois dias depois de uma primeira reunião organizada entre China, Estados Unidos, Paquistão e Afeganistão em Islamabad, a capital paquistanesa, para tentar relançar o processo de paz entre o governo afegão e os rebeldes talibãs.

O ataque, registrado nesta quarta-feira em Jalalabad, grande cidade do leste afegão, perto do Paquistão, começou com um atentado suicida e prosseguiu com a tomada de um imóvel adjacente ao consulado paquistanês, onde homens armados se entrincheiraram por várias horas.

No total, "sete soldados e policiais morreram e outros sete ficaram feridos", declarou Sediq Sediqqi, porta-voz do ministério afegão do Interior. Os três criminosos morreram.

As autoridades paquistanesas afirmaram que os funcionários do consulado estão a salvo.

Em um comunicado em árabe, os jihadistas do EI explicaram que o ataque foi realizado por três combatentes, dois dos quais detonaram as cargas explosivas que carregavam.

A organização jihadista afirmou que o ataque provocou a destruição do consulado e a morte de dezenas de funcionários e agentes de inteligência paquistaneses, classificados por ela de apóstatas.

As autoridades paquistanesas têm um medo extremo da ameaça do EI e negam que a organização esteja ativa em seu território, onde uma série de grupos armados, como a Al-Qaeda e os talibãs paquistaneses, já estão realizando sua própria insurgência.

"Assustar os civis"

Portanto, o ataque a Jalalabad, "o primeiro do EI contra o Estado paquistanês", é rico em símbolos, estimou Muhamad Amir Rana, um analista paquistanês.

Os jihadistas do EI, cuja organização ocupa grandes extensões de territórios na Síria e no Iraque, podem querer assustar os civis que se encontravam no consulado para solicitar um visto "porque o EI não quer que a população fuja das zonas sob seu controle", acrescenta.

A implantação progressiva de combatentes do EI no início de 2015 na província de Nangarha, da qual Jalalabad é a capital, provocou a fuga em massa dos civis devido à brutalidade dos jihadistas, que decapitaram policiais e soldados e exibiram as cabeças.

Diferentemente dos talibãs, que lutam contra o regime de Cabul e as tropas estrangeiras no Afeganistão, o EI tem alvos internacionais. Em nome desta ambição, proclamaram há um ano a "província de Jorasan", uma região que inclui Afeganistão, Paquistão e partes dos países vizinhos.

Frequentemente, os insurgentes que alegam ser do EI são ex-talibãs decepcionados com seus líderes, que esconderam durante dois anos a morte de seu dirigente histórico, o mulá Omar.

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