Em jogo, as negociações sobre carga horária de trabalho dos funcionários ferroviários.
Segundo a SNCF, as interrupções no transporte serão sentidas na quarta-feira de maneira significativa, mas não incapacitante. Cerca de 60% dos TGV e de 30 a 40% dos trens regionais estarão circulando.
Internacionalmente, a SNCF prevê um tráfego normal no Eurostar (Reino Unido) e Alleo (Alemanha), 75% dos Lyria (Suíça) e Thalys e apenas 40% dos Ellipsos (Espanha) e um terço dos trens SVI (Itália).
Esta greve não está relacionada com o movimento estimulado pelos sindicatos em protesto contra o projeto de lei sobre a reforma trabalhista promovida pelo governo, mas ajuda a criar uma sensação de impasse que alarma os observadores externos.
Sobre a lei trabalhista, "a porta de saída existe. Mas ainda precisa ser aberta...", considerou nesta terça-feira o jornal de esquerda Libération.
O presidente socialista François Hollande e o primeiro-ministro Manuel Valls reiteraram a sua determinação em manter o texto.
"Recuar seria um erro político", declarou Manuel Valls diante dos deputados socialistas.
Estes estão muito divididos sobre o texto, principalmente sobre um artigo que dá prioridade a acordos privados em detrimento dos acordos sindicais.
O projeto "não será retirado", reafirmou François Hollande ao jornal regional Sud Ouest.
Face a eles, as confederações sindicais CGT e FO continuam a exigir a retirada pura e simples do texto.
No entanto, uma retomada tímida do diálogo pareceu começar com uma conversa telefônica no sábado entre Manuel Valls e o chefe da CGT, Philippe Martinez. "Nós consideramos esse passo como uma vontade de diálogo, e é isso que pedimos há três meses", declarou.
Nesta terça-feira de manhã, a ministra do Trabalho, Myriam El Khomri, indicou esperar "propostas da CGT".
Um novo dia nacional de ação contra a lei El Khomri está previsto para 14 de junho.
Bélgica paralisada
A greve continuava nesta terça-feira nas refinarias de petróleo, mas a mobilização das indústrias e do governo melhorou a oferta nos postos de gasolina, atacados nos últimos dias pelo temor de escassez.
Para o Executivo, cuja impopularidade é recorde, a lei, em discussão no Parlamento, deverá permitir flexibilizar as regras trabalhistas à realidade das empresas e, assim, promover a luta contra o desemprego endêmico (10%).
Os críticos consideram, no entanto, que aumentará a precarização do trabalho, deixando os trabalhadores mais vulneráveis.
Na segunda-feira, o conselho de turismo de Paris e sua região alertou para as consequências desses "eventos sociais" para a imagem do país.
"As cenas de guerrilha no centro de Paris, retransmitidas em todo o mundo, reforçam o sentimento de medo e de incompreensão dos turistas, num contexto de ansiedade", disse seu presidente Frederic Valletoux.
Para ele, após início os atentados de novembro em Paris, "ainda há tempo para salvar a temporada turística, colocando um fim a esses obstáculos" antes da Eurocopa 2016 (10 de junho 10 de julho).
A França não é o único país europeu atingido por conflitos sociais: na Bélgica, uma greve contra as políticas econômicas do governo de direita afetava nesta terça-feira as administrações e serviços públicos, dos transportes públicos até a coleta de lixo.