Na conversa, gravada pela manhã pela Polícia Federal, Dilma diz a Lula que enviaria ao ex-presidente o termo de posse para que pudesse "usá-lo em caso de necessidade".
Ameaçado de prisão por suposta ocultação de patrimônio no âmbito do escândalo da Petrobras, Lula foi nomeado chefe da Casa Civil de Dilma, que negou que tenha se tratado de uma manobra para garantir foro privilegiado ao seu padrinho político, tirando-o da mira do juiz Sérgio Moro, encarregado da 'Operação Lava Jato'.
A gravação foi divulgada pelo magistrado.
A difusão da conversa provocou uma reação dura de deputados opositores, que pediam, em uníssono, a "renúncia" da presidente, ameaçada por um processo de impeachment.
Ao menos cinco mil pessoas se reuniram espontaneamente em frente ao Palácio do Planalto, sede da Presidência, para criticar Dilma e expressar seu apoio ao juiz Sérgio Moro.
Outra concentração espontânea era celebrada no início da noite em São Paulo. Em alguns bairros, ouviram-se buzinaços e panelaços.
Rito do impeachment
Esta tarde, o Supremo Tribunal Federal deliberou sobre o formato da tramitação do impeachment, que poderá prosseguir, mas caberá ao Senado dar a última palavra.
Por 9 votos a 2, os juízes da mais alta corte do país repudiaram os recursos apresentados pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que questionavam as regras estabelecidas em dezembro e acabaram travando o processo.
O Supremo estipulou no fim do ano passado que o Senado - onde o governo conta com maior apoio do que na Câmara dos Deputados - terá a palavra final para admitir um julgamento político contra a presidente.
Em dezembro, a corte anulou a comissão especial de maioria opositora eleita por voto secreto e decidiu pela votação aberta.
Cunha questionou estas decisões, argumentando que se tratava de uma intromissão do Poder Judiciário no Legislativo. Mas nesta quarta-feira, os juízes rejeitaram seus questionamentos e mantiveram as novas regras.
A resolução permite à Câmara dos Deputados prosseguir com o trâmite e instalar a comissão especial que analisará em primeira instância se existem argumentos para abrir um julgamento contra a presidente.
O presidente da Câmara dos Deputados tinha antecipado que convocaria nova eleição para formar a comissão assim que a corte se pronunciasse.
Em seguida, será o plenário da Câmara que decidirá se abre julgamento contra a presidente, o que deve ser ratificado pelo Senado.
Reeleita em 2014, Dilma Rousseff é acusada por juristas e opositores de aumentar despesas sem permissão prévia do Congresso e tapar buracos do orçamento com empréstimos de bancos públicos.
A ex-guerrilheira de 68 anos qualifica o impeachment de "golpe" da oposição e tem afirmando que as denúncias não têm qualquer sustentação.
No domingo passado, três milhões de pessoas em todo o país pediram o impeachment de Dilma em protestos de proporção histórica.
Cunha enfrenta um processo por corrupção e lavagem de dinheiro e é investigado no âmbito do escândalo do 'Petrolão'.