A mesa será montada no Equador, enquanto as sessões de diálogo serão celebradas também em Brasil, Venezuela, Chile e Cuba, que junto com a Noruega serão os "garantidores" do processo, acrescenta o acordo assinado por Pearl e García na Chancelaria venezuelana.
O governo do presidente Juan Manuel Santos e o Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista) - segundo grupo rebelde colombiano depois das Farc - também combinaram que as conversas serão "diretas e ininterruptas" e que se executará a agenda de seis pontos com a maior celeridade e rigor.
Os temas são: participação da sociedade na construção da paz, democracia para a paz, transformações, vítimas, fim do conflito armado e implementação dos acordos.
Na declaração, as partes destacam que o objetivo é "erradicar a violência da política, colocando no centro do tratamento a situação das vítimas e avançar para a reconciliação nacional mediante a ativa participação da sociedade na construção da paz estável e duradoura".
Santos declarou que o processo de paz terá uma "natureza muito diferente" da que se celebra com as Farc porque são guerrilhas "muito diferentes".
"As conversas públicas, às quais daremos início com o ELN, têm uma natureza muito diferente do processo de Havana, porque o ELN e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, comunistas) são organizações muito diferentes", disse o presidente Santos em declarações públicas da Casa de Nariño, sede do governo.
"Os processos com as Farc e o ELN são diferentes, mas o fim do conflito é um só", acrescentou Santos, em alusão às negociações com as Farc, a principal e mais antiga guerrilha do país, que avançam há três anos em Cuba.
O começo das negociações entre o governo e o ELN foi anunciado após uma fase de diálogos exploratórios realizados entre janeiro de 2014 e março de 2016 em Brasil, Equador e Venezuela.
Antes do anúncio, Pearl, García e o líder rebelde Pablo Beltrán se reuniram a pedido da chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, na Casa Amarela, sede do Ministério das Relações Exteriores.
"Aqui estamos, na Venezuela, comprometidos definitivamente com a paz da Colômbia, dando um passo histórico que não pode dar outra coisa a não ser felicidade à Colômbia, à Venezuela, à região e à comunidade internacional", disse Rodríguez a jornalistas, acompanhado de Beltrán e García, vestidos com camisas vermelhas.
As Farc elogiaram o início das negociações de paz em Caracas entre o governo e o ELN, denominando-o de "um momento histórico para a Colômbia".
"A delegação de Paz Farc-EP comemora o início da etapa pública de diálogos ELN-Governo pela paz da Colômbia", escreveu nesta quarta-feira no Twitter o chefe negociador das Farc em Havana, Iván Márquez, ressaltando que "ELN e Farc-EP com o povo, juntos para a paz com justiça social: momento histórico para a Colômbia".
Uma "oportunidade"
"Um processo com o ELN significa que a Colômbia tem a oportunidade de encerrar completamente os 52 anos de conflito armado agora com os dois grupos guerrilheiros", disse à AFP, Kyle Johnson, analista do International Crisis Group (ICG).
Agora que o governo e as Farc estão na reta final para alcançar um acordo de paz, "o 'pós-conflito' não seria completo em todas as regiões do país sem um processo de paz bem-sucedido com o ELN", acrescentou.
No entanto, o especialista alertou para os "desafios" tanto políticos, por prazos e simultaneidade com o processo com as Farc, quanto metodológicos, pelas próprias características do ELN como organização, que toma decisões por consenso.
Fundado em 1964 sob influência da revolução cubana e da Teologia da Libertação, o ELN tem atualmente 1.500 combatentes em suas fileiras, mas conta com uma ampla rede de apoio de milicianos e simpatizantes em todo o país, segundo fontes oficiais.
"O ELN é menos pragmático do que as Farc e não funciona tanto quanto uma organização vertical, o que tornou mais complexa a negociação de um mapa do caminho", destacou uma fonte do governo.
A fase exploratória com o ELN, que avançou sem um cessar-fogo - ao qual Santos se opunha por considerar que poderia fortalecer o grupo rebelde - pareceu estagnada em fevereiro.
Este mês a guerrilha executou múltiplos atentados em todo o país para comemorar o 50º aniversário da morte do sacerdote Camilo Torres, ícone do grupo abatido por militares, e de outros dirigentes emblemáticos como Domingo Laín e Gregorio Manuel Pérez, "El Cura Pérez".
No entanto, nos últimos dias, o ELN deixou em liberdade o funcionário Ramón José Cabrales, há mais de seis meses mantido em seu poder, e o militar Jair de Jesús Villar. Ambas as libertações eram uma condição imposta por Santos para iniciar qualquer negociação na fase pública.
O conflito colombiano, que começou como um levante camponês nos anos 1960, enfrentou durante mais de 50 anos guerrilhas de esquerda, paramilitares de direita e forças públicas. Deixa pelo menos 260.000 mortos, 45.000 desaparecidos e 6,8 milhões de deslocados.