A pressão está aumentando dia após dia sobre o EI que, dois anos após a sua ofensiva relâmpago para criar um "califado", também tenta resistir a uma grande ofensiva no Iraque, onde as forças do governo procuram recuperar o controle de Fallujah.
O EI, que conta com entre 19.000 e 25.000 combatentes em ambos os países, de acordo com estimativas dos Estados Unidos, enfrenta uma dupla operação no norte da Síria.
De acordo com o OSDH, as forças do regime avançam para o sudeste e estão a 30 km do aeroporto de Tabqa e a 24 km do Lago Assad, um reservatório de água no vale do Eufrates. Tabqa está localizada 500 km a oeste de Raqa, a capital do autoproclamado califado do EI.
Do outro lado, a coalizão árabe-curda das Forças Democráticas da Síria (FDS) está 60 km ao norte e não avança mais para o sul porque a sua prioridade é tomar Minbej, uma localidade estratégica para os curdos.
'Coordenação "informal"'
A coincidência destes ataques levanta a questão de uma coordenação entre Moscou e Washington.
"É claro que existe uma cooperação entre a Rússia e o exército americano. Seria impossível realizar ataques na mesma região sem coordenação", assegurou nesta segunda-feira à AFP uma fonte do regime sírio.
"Existe há vários meses em Bagdá uma sala de operação militar conjunta de luta contra o EI que reúne oficiais sírios e iraquianos com a cooperação dos russos e americanos para coordenar as grandes operações contra o grupo extremista", explicou.
Mas para o especialista Matthew Henman, esta coordenação é "informal".
"Há talvez uma espécie de coordenação informal a um nível elevado para evitar confusão e combates inadvertidamente, mas é pouco provável que esta seja uma coordenação plena", afirma Henman, que dirige o centro de investigação sobre o terrorismo e a insurgência do IHS Jane's.
A Rússia sofreu uma rejeição quando propôs aos Estados Unidos realizar ataques conjuntos contra o EI em junho de 2014.
Os extremistas também enfrentam uma ofensiva das FDS na província de Aleppo. Depois de atravessar o rio Eufrates, perto da fronteira turca, combatentes curdo-árabes avançam para o oeste, em direção a Minbej, que é, segundo os especialistas, uma prioridade.
Minbej encontra-se no eixo que o EI utiliza para fazer transitar homens, armas e dinheiro pela fronteira com a Turquia - cerca de 30 km mais ao norte - no sentido de Raqa, a capital do grupo ultrarradical na Síria.
As FDS, dominadas pelos curdos, conseguiram desde 31 de maio assumir o controle de mais de 42 aldeias nas mãos dos extremistas e monitorar a principal rota de abastecimento entre Minbej e Raqa.
Raqa, 'última a cair'
Esta ofensiva destaca a complexidade do conflito sírio, que matou mais de 280 mil pessoas em cinco anos e deixou milhões de deslocados, enquanto as negociações para resolver o conflito estão num impasse.
Os grupos extremistas não foram incluídos num acordo de cessar-fogo entre o regime e os rebeldes alcançado sob a liderança dos Estados Unidos e da Rússia em fevereiro.
Se os combates por Tabqa e Minbej são estrategicamente importantes, a recuperação de Raqa é mais simbólica, porque representaria um golpe terrível para o moral do EI.
Para Matthew Henman, "Raqa será, certamente, um dos últimos, se não o último reduto do EI a cair na Síria".
"Damasco, assim como os curdos, quer ser o primeiro a entrar em Raqa e prefere não ver a outra parte controlar a cidade", indicou.
Em um relatório publicado neste fim de semana, o geógrafo Fabrice Balanche ressalta que esta ofensiva "está longe de ser uma batalha rápida que pode rapidamente conduzir as FDS à entrada de Raqa".