O senador, 66, falou na madrugada desta quinta-feira diante de seus colegas, em um discurso salpicado de referências a sua própria experiência O senador, 66, falou na madrugada desta quinta-feira diante de seus colegas, em um discurso salpicado de referências a sua própria experiência

"A história me reservou este momento", declarou Fernando Collor de Mello, presidente que sofreu um processo de impeachment em 1992 e que defendeu agora, como senador, o mesmo procedimento contra Dilma Rousseff.

Collor renunciou pouco antes de o Senado pronunciar seu impeachment em 1992 por corrupção e o privar de seus direitos políticos por oito anos.

O senador, 66, falou na madrugada desta quinta-feira diante de seus colegas, em um discurso salpicado de referências a sua própria experiência, sem revelar o seu voto no caso de Dilma, afastada do poder por 180 dias à espera do julgamento final pelo Senado por maquiagem das contas públicas.

Ele disse que, em 1992, foi "forçado a renunciar" após uma acusação feita em "dois parágrafos". Entre o seu caso e o de Dilma, "o procedimento é o mesmo, mas não o ritmo nem o rigor", lamentou.

Ele também lembrou que em 1994 o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou o caso. "Mesmo assim eu perdi meu mandato", afirmou em um tom nostálgico.

Primeiro presidente eleito pelo voto popular após a ditadura militar (1964-1985), Collor, membro de um pequeno partido, foi alvo de enormes manifestações populares exigindo a sua saída poder.

Ao retornar à política, foi eleito senador por Alagoas em 2006 e reeleito em 2014.

Sobre Dilma, "não foi por falta de aviso. Desde o início desse governo fui ao longo dos anos a diversos interlocutores da presidente para mostrar os problemas que eu antevia e que desembocaram nesta crise sem precedentes", afirmou.

"Jamais o Brasil passou por uma confluência tão clara, tão entrelaçada e aguda de crises na política, na economia, na moralidade e na institucionalidade. Chegamos ao ápice de todas as crises, chegamos às ruínas de um governo, às ruínas de um país", criticou.

O termo "ruínas de um governo", lembra o título de um livro do renomado jurista brasileiro Ruy Barbosa lançado nos anos 1930 e que foi usado durante o processo de impeachment contra Collor.

O ex-presidente também faz parte dos políticos citados no gigantesco escândalo de corrupção da Petrobras.

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