O brasileiro Neymar, em partida do Barcelona O brasileiro Neymar, em partida do Barcelona

O presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, e seu antecessor, Sandro Rosell, não responderam às perguntas do juiz nesta segunda-feira, na audiência judicial que investiga irregularidades na transferência de Neymar, limitando-se a ratificar o afirmado em outra audiência.

"Não respondemos a nenhuma pergunta, porque já fomos submetidos às perguntas tanto do juiz como do promotor", declarou Josep Vives, porta-voz do clube, à imprensa espanhola, insistindo que "fizemos as coisas da maneira certa".

Bartomeu e Rosell foram convocados pelo juiz da Audiência Nacional (principal instância penal espanhola) José de la Mata e são investigados por "fraude" e "corrupção entre particulares", no marco da processo apresentado pelo fundo de investimento brasileiro DIS, que possuía 40% dos direitos esportivos de Neymar quando o atacante foi vendido ao Barcelona, em 2013.

Ambos "ratificaram as declarações anteriores diante do mesmo promotor e mesma juridição, no sentido que o Barcelona havia atuado absolutamente de maneira correta neste caso e como faz sempre", completou Vives.

Na terça-feira, será a vez de Neymar e seus pais, Neymar da Silva e Nadine, comparecerem perante o juiz para depor.

Num primeiro momento, o Barça avaliou oficialmente ter pago por Neymar 57,1 milhões de euros (40 milhões para a família de Neymar e 17,1 para o Santos), mas a justiça espanhola calcula que o pagamento foi de pelo menos 83,3 milhões de euros.

O DIS, que recebeu 6,8 milhões de euros dos 17,1 pagos ao Santos, se considera duplamente prejudicado.

Primeiro, por um acordo entre Neymar e Barça por 40 milhões de euros para garantir ao clube espanhol a contratação do jogador, que, segundo o DIS, impediu a outros clubes entrarem no leilão pelo atacante, desrespeitando a lei de livre mercado e podendo constituir um "delito de corrupção entre particulares".

Por outro lado, o grupo de investimento considera que alguns contratos anexos serviram para ocultar o valor real pago ao Santos e, por consequência, a parte correspondente ao DIS, o que supõe um delito de "fraude por simulação contratual".

Bartomeu e Rosell ratificaram o declarado em fevereiro de 2015 e julho de 2014, respectivamente, no marco de outro caso por delito fiscal relacionado com estra transferência, pelo qual serão julgados numa data futura.

Bartomeu se limitou a dizer que Sandro Rosell "liderou, em nome do clube, as negociações com o pai do jogador" e que "não interveio na negociação", simplesmente "recebeu os contratos preparados pelo clube e os assinou".

Já Rosell garantiu que "os contratos foram feitos de maneira perfeita".

Em comunicado publicado nesta segunda-feira, o Barcelona expressou sua "satisfação por ter tido a possibilidade de se explicar" e garantiu que tanto Bartomeu como Rosell estão "tranquilos e confiantes diante da justiça".

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