Entre as justificativas, o decreto destaca que a oposição pretende o "desconhecimento de todos os poderes públicos" e promove a "interrupção do período" de Maduro, em referência ao referendo para revogar seu mandato.
O decreto ordena à Força Armada Bolivariana e aos demais órgãos de segurança que "garantam a correta distribuição e comercialização de alimentos e produtos de primeira necessidade".
A medida se associa aos recém-criados Comitês Locais de Abastecimento e Distribuição (CLAP), grupos de cidadãos encarregados da entrega direta de alimentos subsidiados para evitar que terminem nas mãos de contrabandistas.
Maduro atribuiu ainda aos CLAPs "funções de vigilância e de organização", conjuntamente com a Força Armada e a Polícia, "para manter a ordem pública e garantir a segurança e a soberania do país".
Segundo o ativista de direitos humanos Marino Alvarado, a medida "abre o caminho para um enfrentamento povo contra povo". "Colocar civis para exercer controle social promove a violência política porque estes grupos agora estão autorizados a reprimir o crescente descontentamento social".
Para enfrentar os efeitos do fenômeno El Niño, Maduro também tem a prerrogativa de ajustar a jornada de trabalho do setor privado. No serviço público, a jornada já foi reduzida a dois dias por semana, até 27 de maio, para poupar energia.
O governo já aplica um plano de racionamento de energia de quatro horas diárias em quase todo o país.