Este giro "demonstra a importância que damos aos países da América Latina", explica um comunicado da presidência turca.
As viagens ao Peru e Equador são as primeiras realizadas por um presidente turco a esses países, enquanto o último chefe de Estado da Turquia que visitou o Chile foi Süleyman Demirel em 1995.
E, na América Latina, Erdogan visitou em fevereiro de 2015 Cuba, Colômbia e México.
Além das questões regionais e internacionais, o chefe de Estado da Turquia vai participar de fóruns empresariais para aumentar os laços econômicos.
'Ambição a longo prazo'
A Turquia quer diversificar suas relações econômicas para além do Médio Oriente e os Bálcãs, regiões históricas ligadas ao Império Otomano, de acordo com analistas.
"A visita faz parte da ambição a longo prazo da Turquia DE expandir sua presença na América Latina, tanto para aumentar a sua influência a nível global quanto para encontrar novos parceiros", explicou Aaron Stein, um especialista do centro americano Atlantic Council.
As relações turcas com a Rússia, os Estados Unidos e a União Europeia têm sofrido fortes oscilações no último ano.
Moscou impôs sanções comerciais por causa da derrubada de um caça russo, em novembro, na fronteira com a Síria pela aviação turca.
"Parte da ambição a longo prazo é aprofundar as relações com uma ampla gama de atores, além de sua aliança com os Estados Unidos e a União Europeia", explicou Stein. A Turquia também faz parte da Otan.
"É a continuação de uma tendência na política externa que começou a se desenvolver em meados dos anos 2000", acrescentou o especialista.
O fim do 'sistema eurocentrista'
A política externa turca também aponta para a África, continente que Erdogan visitou em várias ocasiões nos últimos anos.
O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, ex-chanceler, é considerado o arquiteto dessa política.
Alguns críticos têm descrito a estratégia como "neo-otomana" e distante dos eixos tradicionais de interesse da Aliança Atlântica.
Mas, segundo o assessor presidencial turco Ibrahim Kalin, esse ponto de vista apenas demonstra que os críticas seguem vendo o mundo "de acordo com um sistema eurocêntrico".
"Alguns acreditam que abrir-se aos países africanos e latino-americanos são maneiras de se distanciar do Ocidente", escreveu o conselheiro ao jornal Sabah Daily no ano passado.
Como sinal de sua crescente projeção no cenário internacional, as novelas turcas estão fazendo cada vez mais sucesso em alguns países latino-americanos.