As eleições de sábado, nas quais serão eleitos somente dois terços do total de vereadores, representam uma tímida abertura na Arábia Saudita, um reduto do wahhabismo - uma doutrina sunita puritana baseada na interpretação literal do Alcorão - e um dos países que mais restringem os direitos das mulheres no mundo.
No entanto, muitos eleitores vão às urnas pensando em lealdades tribais, e não no sexo dos candidatos.
Um Mohammed, uma mulher de 47 anos que vive perto da fronteira com o Kuwait, assegura que, apesar de suas filhas terem ajudado uma candidata em sua campanha, votará em um homem.
"Votarei nele porque é de nossa tribo e defenderá nossos direitos. Tem bom caráter e nunca ouvimos nada de negativo sobre ele", disse.
Acompanhada de seu marido, Um jantou com o candidato em uma tenda algo que acabou convencendo a eleitora.
Estas tendas tradicionais, onde os homens se reúnem e que às vezes servem de habitação, foi um dos lugares onde os candidatos fizeram campanha para convencer seus eleitores.
A Arábia Saudita havia realizado eleições locais em 2005 e 2011, mas só homens podiam se candidatar.
A monarquia petroleira, sem governo eleito e muito criticada internacionalmente por sua falta de direitos, está nas mãos dos Al Saud há décadas, a família do atual rei Salman.
Apesar de Um Mohammed já ter escolhido seu candidato, votar não será uma tarefa fácil para ela, uma vez que as mulheres não podem dirigir e em sua região não existem táxis, obrigando-a a ir junto ao marido ou a alugar um carro com um motorista homem.
No país, as mulheres devem se vestir de preto da cabeça aos pés quando estão em público e necessitam da permissão de um membro masculino de sua família para viajar, trabalhar e se casar.
Sob o reino de Abdullah, o predecessor de Salman que morreu em janeiro, houve uma tímida abertura e a campanha das municipais representa mais um passo, ainda que algumas candidatas tenham sido excluídas e outras tenham se retirado pela pressão que sofreram.
Uma professora que vive no nordeste do país e que não quis ser identificada explica como sua candidata preferida foi excluída por acusações de religiosos.
"Teve que se retirar porque os religiosos disseram que uma mulher não pode participar das eleições. Não creio que as mulheres ganharão muito poder caso vençam", lamenta.
Outro eleitor, um homem da cidade de Hafr al-Batin, no leste do país, acredita que é muito difícil votar em uma mulher.
"Para entendê-las é preciso fazer um esforço adicional", diz o homem, que durante a campanha participou de refeições e tomou cafés com alguns candidatos.
Segundo um diplomata ocidental, "será uma grande surpresa" se uma mulher for eleita no sábado para algum dos cargos.