No colégio eleitoral da prefeitura de Niamei, reservado aos oficiais e onde deve votar o presidente Mahamadou Issoufou, de 63 anos, que disputa um segundo mandato, o primeiro eleitor depositou seu voto às 8H05 (4h05 de Brasília), cinco minutos a abertura oficial das urnas.
Contudo, na mesma hora, o material eleitoral começava a chegar no colégio eleitoral de Yantala, no bairro de Plateau
Segundo várias testemunhas, a situação era a mesma em vários locais de voto na capital.
Mahamadou Issoufou prevê uma vitória por nocaute no primeiro turno, frente a uma oposição muito fragmentada. Seus adversários, no entanto, prometeram se unir para o segundo turno.
A campanha foi marcada por confrontos entre opositores e partidários do presidente.
Um dos candidatos, Hama Amadou, foi preso há dois meses por envolvimento com o tráfico de bebês.
Outros temas complexos como a prisão de membros da sociedade civil, o medo de ataques jihadistas e a impugnação das listas eleitorais também afetaram sobre a campanha.
Issoufou foi eleito em 2011 depois de uma votação convocada pela junta que derrubou o carismático Mamadu Tandja (1999-2010).
Nas eleições se enfrentam dois ex-primeiros-ministros: Seini Oumarou, do ex-partido de Tandja, e Hama Amadou. Também estão na disputa Mahamane Ousmane, o primeiro presidente eleito democraticamente (1993-1996) e um quarto candidato, Amadou Boubacar Cissé, conhecido como "ABC".
Um dos temas da campanha é a luta contra a miséria e os problemas gerados pela mudança climática.
O país, em que cerca de 76% da população vive com menos de dois dólares por dia, tem uma demografia em ebulição, com a maior taxa de natalidade do mundo.
A crescente desertificação, por outro lado, gerou caóticas migrações para outras cidades.
Em 2016, quase de dois milhões de pessoas precisarão de ajuda alimentar, segundo a ONU.
Outra preocupação é a mobilização do exército para conter a ameaça do grupo jihadista Boko Haram, que de suas posições na vizinha Nigéria, também ataca o Níger.
No norte, o país também sofre com os ataques dos jihadistas do Sahel.
A corrupção também é um tema quente.
A esperança do presidente é que o eleitorado aposte na continuidade, segundo uma fonte do partido no poder.
Já conscientes de que haverá um segundo turno, os candidatos da oposição acertaram dar seu apoio a quem avançar para a próxima fase da votação.
Os observadores consideram possível uma vitória do atual presidente já no primeiro turno, mas em uma eleição em que não há pesquisas de opinião e muitos eleitores votarão pela primeira vez, o resultado é algo impossível de prever.
No sábado, o presidente da comissão eleitoral nacional independente (Céni) Ibrahim Boubé indicou que "todas as medidas foram tomadas" para que a eleição "aconteça em boas condições".