A presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, em Brasília, no dia 9 de maio de 2016 A presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, em Brasília, no dia 9 de maio de 2016

Ninguém duvida do desenlace. O Senado iniciou nesta quarta-feira o debate que provavelmente terminará com o afastamento da presidente Dilma Rousseff para submetê-la a um julgamento político em uma sessão que pode representar o último ato de mais de 13 anos de governo do PT.

A manobra de última hora do governo para frear o impeachment foi infrutífera: o Supremo Tribunal Federal rejeitou o recurso apresentado na véspera para anular o impeachment da presidente.

Após meses de crise política, que mantêm em vigília o gigante sul-americano, o plenário da Câmara Alta discute em uma sessão que pode se estender pela madrugada se a presidente deve ser julgada por cometer "crime de responsabilidade" ao usar empréstimos de bancos estatais para tapar buracos no orçamento de 2014 e 2015.

Dilma não é alvo de investigação ou acusação por corrupção. Mas tanto seus maiores aliados quanto seus inimigos mais ferozes são investigados por envolvimento no maior escândalo de corrupção da História do Brasil, que desviou da Petrobras mais de US$ 2 bilhões.

Sondagens mostram que a oposição tem votos mais que suficientes para afastar Dilma do poder por até 180 dias, durante o trâmite do processo. Para isto, precisa do voto de 41 senadores - maioria simples.

O temor do PT é, inclusive, que 54 senadores ou mais - dois terços do plenário - apoiem o impeachment nesta quarta-feira. Esta é a cifra que se requer para a votação final do julgamento político, declarar culpada e afastar definitivamente do poder a primeira mulher eleita presidente do Brasil.

Processo traumático

O impeachment é um processo "longo e traumático", que "coloca uma enorme responsabilidade sobre o Senado", afirmou pouco antes do início da sessão o presidente da Casa, Renan Calheiros.

"Decidiremos sobre o afastamento temporário ou a permanência no poder da presidente Dilma Rousseff, que foi eleita pelo voto", acrescentou o líder dos senadores, que pediu "serenidade e espírito público" aos colegas.

Dilma foi reeleita em outubro de 2014, mas sua popularidade despencou a 10% em meio a uma recessão econômica que se antecipa como a pior em décadas e o esquema de propina na Petrobras, que tem na mira dezenas de políticos do PT e aliados, assim como poderosos empresários.

A crise política atinge seu auge a menos de três meses dos Jogos Olímpicos do Rio e em meio a uma epidemia de zika, que causa microcefalia em bebês, e milhares de casos de dengue, chicungunha e gripe H1N1.

Ao início da sessão no Senado, simpatizantes do governo protestaram rapidamente contra o impeachment em vários pontos de São Paulo, bloqueando avenidas e erguendo barricadas.

Em Brasília, ao contrário, o dia transcorria normalmente fora do Congresso. Um dispositivo especial de segurança com 1.500 policiais foi mobilizado à esplanada central, onde se esperam manifestações a favor e contra o impeachment.

O mercado reagiu com calma e este novo capítulo da novela política. A bolsa de São Paulo subiu 0,57% e o dólar operava em alta de 0,12% no meio da manhã desta quarta-feira. Na terça, o mercado paulista fechou em quase alta de quase 5%, na expectativa da mudança de governo e na possibilidade de ajustes fiscais para reativar uma claudicante economia.

"Golpe moderno"

Dilma, que governa a maior economia da América Latina desde 2011, após suceder Luiz Inácio Lula da Silva (2003-10), acusa seu vice-presidente, Michel Temer, de orquestrar um "golpe moderno" contra ela e afirma que governantes da oposição antes dela praticaram as mesmas pedaladas fiscais das quais é acusada.

Ela afirma não ter cometido "crime de responsabilidade", uma acusação passível de punição com o impeachment, segundo a Constituição.

Ex-aliado do governo até março e agora acusado de traição, Michel Temer assumirá a presidência interinamente se a impopular presidente de 68 anos for de fato suspensa do cargo. Sua permanência no poder levanta várias questões, pois é até mesmo mais impopular que a presidente: apenas 2% dos brasileiros votariam nele em eleições presidenciais.

Se Dilma for finalmente declarada culpada ao final de seis meses de julgamento, Temer, de 75 anos, ficará à frente do país até 2018, fim previsto de seu mandato.

"Temer terá grandes desafios, não é uma tarefa fácil. Não terá a legitimidade das urnas, mas terá que buscá-la na Constituição (...) Não pode errar", afirmou o senador Aécio Neves (PSDB), derrotado por Dilma nas disputadíssimas eleições presidenciais de 2014 por apenas 3%.

Guerreira

"O último dia do meu mandato é 31 de dezembro de 2018", disse Dilma esta terça-feira, diante de milhares de simpatizantes fervorosas.

"Vou lutar (contra o impeachment) com todas as minhas forças, usando todos os meios possíveis, meios legais, meios de luta", prometeu a ex-guerrilheira, que foi presa e torturada durante a ditadura militar (1964-1985).

Em Roma, o papa Francisco fez um apelo ao diálogo no Brasil: "Meus pensamentos estão com essa amada nação (...), que atravessa momentos de dificuldade".

Isolada, a presidente perdeu o apoio de todos os partidos que integravam sua coalizão de governo e já não tem nos brasileiros mais desfavorecidos a mesma força de épocas de bonança.

O governo está praticamente paralisado à espera de uma definição sobre o impeachment, apoiado por 61% da população, segundo pesquisas de opinião.

O único precedente de impeachment desde a volta da democracia, em 1985, é o do ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-92), que foi afastado do cargo e renunciou antes de o Senado votar sua destituição.

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