Mais de 36 horas depois da tragédia, "aviões e navios das Forças Armadas encontraram objetos pessoais dos passageiros e destroços da aeronave 290 quilômetros ao norte de Alexandria", afirmou o exército egípcio em um comunicado.
"A busca continua, estamos retirando da água tudo o que encontramos", completa a nota oficial.
As autoridades esperam que o material recuperado facilite a investigação sobre as causas do acidente, que ocorreu em condições meteorológicas favoráveis e com uma tripulação experiente.
O ministro da Defesa da Grécia, Panos Kammenos, afirmou que os primeiros elementos encontrados correspondiam a "um membro humano, dois assentos e uma ou várias malas".
Um satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) detectou uma possível mancha de óleo ou combustível, "de dois quilômetros" de comprimento, perto do lugar onde supostamente o avião, um Airbus A320, desapareceu.
Sem reivindicação até o momento
Um total de 66 pessoas - 56 passageiros, sete tripulantes e três membros das forças de segurança egípcias - estavam a bordo. A EgyptAir disse que entre os passageiros havia 30 egípcios, 15 franceses, um britânico, um canadense, um belga, um português, um argelino, um sudanês, um chadiano, dois iraquianos, um saudita e um kuwaitiano. O ministério das Relações Exteriores do Canadá informou que dois cidadãos do país estavam a bordo.
"Todas as hipóteses estão sendo examinadas, sem privilegiar umas sobre outras, porque não temos a mínima indicação sobre as causas", afirmou nesta sexta-feira o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault.
O ministro anunciou que se reunirá no sábado com parentes das vítimas em Paris para "oferecer o máximo de informações com a maior transparência".
O acidente com o Airbus não foi reivindicado por nenhum grupo insurgente ativo na região, como por exemplo o braço egípcio da organização Estado Islâmico (EI), que reivindicou rapidamente a explosão de uma bomba em pleno voo de um avião com turistas russos em 31 de outubro, quando sobrevoava o Sinai. O atentado matou as 224 pessoas a bordo.
A França anunciou o envio de três investigadores e um conselheiro técnico da Airbus ao Cairo para participar nas buscas, e o Ministério Público de Paris abriu uma investigação.
Golpe na recuperação do turismo
O avião decolou do aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, ao norte de Paris, pouco depois das 23h00 locais (18h00 de Brasília) de quarta-feira e tinha previsão de pouso no Cairo na quinta-feira às 03h05 (22h05 de Brasília, quarta-feira).
Desapareceu dos radares às 00h30 GMT (21h30 de Brasília), quando já estava no espaço aéreo egípcio.
A catástrofe, depois da registrada em outubro, desfere um golpe letal no turismo, um setor essencial para a economia egípcia, abalada pelos atentados jihadistas e as tensões políticas.
O acidente pode provocar consequências desastrosas. O Egito busca atrair turistas e investidores estrangeiros que deixaram o país depois do levante popular da Primavera Árabe de 2011.
Em 2015, a indústria turística faturou 6,1 bilhões de dólares, 15% a menos que em 2014, segundo dados oficiais.
A tragédia também pode contribuir para desacreditar o marechal Abdel Fatah al-Sisi, que ao derrubar em 2013 o presidente islamita democraticamente eleito Mohamed Mursi "havia prometido combater o terrorismo e restabelecer a segurança", disse Mustafá Kamel, professor de ciência política da Universidade do Cairo.