(16 dez) Sessão do Congresso Geral Nacional (16 dez) Sessão do Congresso Geral Nacional

Membros dos dois Parlamentos rivais da Líbia assinaram nesta quinta-feira no Marrocos um acordo promovido pela ONU para formar um governo de união nacional, embora os chefes de ambas as câmaras tenham advertido antecipadamente que o pacto não terá legitimidade.

Na Líbia, nas mãos das milícias desde a deposição de Muanmar Kadhafi, em 2011, dois governos e dois parlamentos disputam o poder.

As potências mundiais pedem um acordo político que inclua um governo de união, para colocar fim a uma desordem propícia ao florescimento dos grupos armados e dos jihadistas do Estado Islâmico (EI).

Nesta linha, um grupo de deputados líbios se prepara para assinar nesta quinta-feira em Skhirat, perto de Rabat, um acordo propiciado pela ONU.

"É um dia histórico para a Líbia", declarou o emissário da ONU, Martin Kobler, durante cerimônia em que foi assinado o acordo, que contou com a presença de diplomatas e ministros árabes e europeus das Relações Exteriores.

Segundo participantes, 80 dos 188 membros do Parlamento de Tobruk (leste), reconhecido pela comunidade internacional, e 50 dos 136 deputados do Congresso Geral Nacional (CGN), com sede em Trípoli, assinaram o acordo.

No entanto, Nuri Abu Sahmein, presidente do Congresso Geral Nacional (CGN) em Trípoli, apoiado por uma coalizão de milícias e não reconhecido pela comunidade internacional, disse na quarta-feira que os signatários não representam as duas câmaras rivais.

"Quem não recebeu o mandato do Congresso Geral Nacional para assinar um acordo em seu nome não tem, nem terá legitimidade", declarou Abu Sahmein.

O governo de união, tal como propõe a ONU, "não tem consenso e não garante nem mesmo o mínimo para assegurar sua eficácia", acrescentou Abu Sahmein.

Na terça-feira, em Malta, Abu Sahmein se reuniu com Aguila Saleh, presidente do Parlamento reconhecido pela ONU e instalado em Tobruk (leste).

Em uma coletiva de imprensa conjunta, os presidentes dos dois Parlamentos deixaram claro que as pessoas que assinarem nesta quinta-feira o acordo no Marrocos o farão a título pessoal, e não em nome das respectivas assembleias.

Diante desta confusão, a missão da ONU para a Líbia não disse como pensava fazer para aplicar o acordo.

Para Kobler, o acordo de Skhirat favorece uma solução para a crise e uma ajuda estrangeira para a Líbia, em particular militar para combater o terrorismo.

Segundo ele, deve haver um governo de união nacional para suspender o embargo sobre a venda de armas ao país que, segundo o governo reconhecido em nível internacional, está prejudicando a luta contra o EI.

Kobler explicou que pode haver "assistência externa" na luta antijihadista na Líbia, se assim pedir um governo de união nacional.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, avaliou, por sua vez, que "agora a comunidade internacional poderia tratar com um único governo representativo (...) na luta contra o Daesh [acrônimo em árabe para o grupo EI] e os traficantes de migrantes".

O chanceler francês, Laurent Fabius, considerou que um governo de unidade nacional é uma "condição para fazer retroceder o terrorismo".

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