Há outros temas nos quais pode retroceder, como a cooperação em diferentes áreas", afirmou Josefina Vidal, responsável da chancelaria cubana para Washington, em uma entrevista publicada nesta terça-feira pela Agência Cubana de Notícias.
No entanto, Vidal admitiu que encara com incerteza as eleições de novembro, nas quais será eleito o sucessor de Barack Obama, artífice junto ao presidente cubano Raúl Castro do restabelecimento de vínculos diplomáticos entre os antigos inimigos da Guerra Fria.
"Começa a incidir sobre mim certa quota de realismo porque se aproxima um processo eleitoral nos Estados Unidos. Não sabemos o que vai acontecer", sustentou.
Os candidatos que lutam pela indicação republicana expressaram objeções à aproximação com Cuba, enquanto os democratas se mostram dispostos a seguir com o processo empreendido por Obama.
Diferentemente do que alguns especialistas acreditam, Vidal disse que não considera que a reconciliação com os Estados Unidos seja irreversível e que inclusive o próximo chefe da Casa Branca pode "revogar alguns dos instrumentos adotados por decisão executiva ou pela via da inação esvaziá-los de seu propósito".
Ainda assim, a diplomata cubana acrescentou que o governo comunista "tem vontade de seguir avançando" no diálogo político e econômico com Washington, ainda que reste pouco tempo à administração de Obama.
"É um ano que se encurta pela campanha eleitoral, politicamente falando chega até o verão (...), mas continuaremos com a convicção de que Cuba e Estados Unidos não têm outro destino que não seja uma convivência respeitosa", comentou Vidal.
Obama tem, no entanto, a opção de dar "passos acelerados na área econômica comercial" para assegurar em parte a irreversibilidade do processo de reconciliação plena com Cuba, acrescentou.
Desde a retomada dos laços diplomáticos, o governo de Raúl Castro pressiona o líder americano para que utilize a fundo seus poderes executivos e levante algumas restrições derivadas do embargo econômico americano em vigor desde 1962.
Além disso, exige que Washington desista dos benefícios migratórios que concede aos cubanos e que provocou a saída em massa de cidadãos da ilha, temerosos de que a reconciliação política coloque fim a estas vantagens.