Estas declarações, publicadas neste domingo pela imprensa oficial, ocorrem num momento de preocupação quanto aos riscos de Pyongyang se preparar para um quinto teste nuclear.
Kim abriu a conferência na sexta-feira comemorando o teste nuclear "histórico" realizado em janeiro, sinal do "poder ilimitado" de seu país. A Coreia do Norte afirma que se tratou do primeiro teste de uma bomba de hidrogênio, o que os especialistas duvidam por causa da energia liberada pela explosão.
Diante das preocupações da comunidade internacional, o jovem líder procurou no sábado apresentar uma imagem de "responsável".
"Como uma potência nuclear responsável, nossa república utilizará uma arma nuclear apenas se a sua soberania for violada por forças hostis e agressivas com bombas atômicas", afirmou, de acordo com a agência de notícias oficial KCNA.
Doutrina volátil
A Coreia do Norte retirou-se em 2003 do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, que obriga os Estados a "negociar de boa fé medidas relacionadas com o desarmamento nuclear".
A doutrina da Coreia do Norte sobre o uso de seu arsenal nuclear sempre foi volátil.
Em seu primeiro teste nuclear, em 2006, o Norte havia dito que nunca usaria armas nucleares. No entanto, lança habitualmente ameaças de ataques nucleares contra Seul e Washington.
Nos últimos anos, Pyongyang concentrou-se no desenvolvimento de armas táticas, multiplicando os testes, cada vez mais bem-sucedidos.
A televisão estatal exibiu apenas neste domingo o discurso de Kim diante do partido único.
O líder norte-coreano também indicou que o seu país procurará melhorar e normalizar as relações com os países amigos, mesmo aqueles que "foram hostis no passado".
Autoridades americanas e norte-coreanas participaram nos últimos anos de reuniões informais. No entanto, jamais chegaram a uma retomada de um diálogo substantivo.
A Guerra da Coreia (1950-1953) terminou com um armistício que nunca resultou em um tratado de paz, o que significa que Seul e Pyongyang estão tecnicamente em guerra.
Neste ponto, Kim não disse nada que pudesse sugerir que o seu país estaria disposto a abandonar seus programas nucleares proibidos, destacando a importância da dissuasão nuclear para o seu regime.
No plano econômico, Kim anunciou um plano de cinco anos para melhorar a eficiência e produção de sectores-chave, incluindo o energético.